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Tendências para o mundo digital em 2017 – Parte 2

  • Blog
  • 6 de Fevereiro de 2017
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A disputa na “pilha” de hardware e software

Começamos na última quinta-feira aqui no Blog uma conversa sobre as tendências do mundo digital para 2017. Você pode ver a primeira parte dessa série aqui. Quando falamos de “mundo digital” e mobile, podemos pensar em uma “pilha”, formada por camadas que são praticamente áreas de atuação:

– Camada de infraestrutura;

– Camada de hardware e dispositivos;

– Camada de sistemas operacionais e app stores;

– Camada de aplicação e serviços.

Ontem, no nosso primeiro post, falamos sobre os principais players na camada de aplicações e serviços. Hoje, vamos nos aprofundar um pouco mais nas outras camadas. Vamos lá?

Infraestrutura e telecom

Em 2017, a necessidade de infraestruturas e serviços de qualidade que suportem a evolução do mundo digital vai ser cada vez mais necessária. Segundo o relatório da Ericsson (novembro de 2016), essas são as projeções de assinaturas para 2022 discriminadas por tecnologia:

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Podemos observar como tendência um declínio de GSM/Edge e um aumento de LTE/WCDMA/5G. As empresas que atuam nessa camada da pilha terão que lidar com os altos custos para investimento em melhorias e novas infraestruturas, apesar de que pode ser que isso seja em parte subsidiado pelos governos.

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O principal crescimento entre 2016 e 2022 deve vir do Oriente Médio e da África, áreas que sistematicamente foram mal atendidas em relação à conectividade e qualidade de serviço. Então, é importante ponderar o quanto isso vai viabilizar novos produtos, negócios e plataformas que surgirão quando essas novas culturas entrarem efetivamente no mundo digital.

Dois pontos são importantes aqui: se teremos carros, drones e produtos relacionados com IoT conectados à internet, fatalmente a infraestrutura vai ter que ser provida de acordo. A qualidade da experiência que as empresas vão conseguir vai depender disso. O segundo ponto importante é que temos também em infraestrutura um tipo diferente de entrante que pode “democratizar” (ou descentralizar) a possibilidade de comunicação via satélite: empresas como SpaceX ou Blue Origin vão trazer um aspecto de “startup” para indústrias historicamente mais rígidas, e isso pode alterar a vantagem competitiva em alguns desses mercados. 2017 vai ser o ano em que esse tipo de incumbente vai começar a ter resultados reais.

No Brasil, empresas como a Vivo, Claro e TIM vão continuar seus investimentos em convergência digital e na melhoria de qualidade e expansão de seus serviços oferecidos, prevendo aumento de ARPU. A Oi vai passar 2017 ajustando o seu plano de recuperação e provavelmente vai se beneficiar do fato de que é “too big to fail”. Apesar de já ter mostrado melhoras em sua geração de caixa, ainda tem um caminho longo pela frente. A Nextel, como a “pequena” das Telecom’s, pode se beneficiar da capacidade de gerar soluções mais inovadoras, devido à sua base de usuários menor. Tudo vai estar atrelado à sua capacidade (ou não) de execução.

Desde 2015 estamos avisando sobre a possibilidade de MVNO’s se estabelecerem e darem mais flexibilidade a uma indústria historicamente mais rígida, e algumas iniciativas podem ser mais bem sucedidas que outras, mas ninguém conseguiu emplacar essa visão de forma clara no mercado brasileiro. No final, a proposição de valor, posicionamento e, em última instância, preço é o que vai determinar o sucesso ou não dessas frentes.

Hardware e Dispositivos

Algumas demissões nas antigas gigantes da tecnologia no setor de hardware indicam para onde o poder está se movimentando. Intel é o processador que sustentou a era PC, mas o ARM é o que sustentou a era de smartphones, sendo a Qualcomm a empresa que mais lucrou com isso tudo.

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IBM, HP e Cisco forneciam hardware para o mundo corporativo e foram disruptadas por cloud computing e outras tendências, uma vez que a Microsoft não está na maior parte dos dispositivos no mundo. Yahoo perdeu a briga em busca e anúncios e também a oportunidade de surfar o mundo mobile na dianteira. Quando estava mirando a próxima onda foi comprada pela Verizon, a Marisa Mayer se demitiu e o nome foi mudado para Altaba. Veremos as cenas do próximo capítulo, mas é pouco provável que a empresa ou qualquer encarnação dela seja reanimada de forma impactante em 2017, o que é bem sintomático sobre a voracidade do mercado digital.

Falando especificamente sobre produção de smartphones, é seguro dizer que estamos entrando na parte superior da curva S. As próximas inovações provavelmente vão ser construídas em cima dessa plataforma, que vai ser considerada estável ou dada como garantida para quem quer fazer produtos diferentes.

A Samsung, apesar da sua campanha de marketing explosiva em 2016, teve um ótimo ano e se consolida como uma das principais empresas a surfar a onda de smartphones, em um mercado já consolidado. A linha de produtos da Samsung, que inclui smartphones, relógio e VR, é bastante diversificada, mas deve continuar sendo a fast-follower no segmento. As entrantes Oppo e Vivo (não, não é a Vivo brasileira =)) e as já conhecidas Xiaomi e Hauwei estão mudando o cenário de smartphones na China e são os aparelhos que mais agradam os jovens chineses.

Por sua vez, a Apple continua dominando o segmento high-end de smartphones, e mesmo tendo queda em suas vendas no terceiro trimestre de 2016, ainda assim dita tendências. As vendas do Apple Watch em 2016, apesar de terem sido um relativo sucesso para um produto novo que foi introduzido no mercado, são pálidas em relação à expectativa de que todo dono de iPhone teria também um Apple Watch. Talvez o mesmo aconteça com os Airpods, no entanto a evolução é muito clara.

Em 2017 precisamos destacar alguns pontos importantes no âmbito de hardware: empresas como Tesla, Otto, Waymo, Uber, Apple e outras vão avançar em seu posicionamento em carros autodirigíveis. O ponto de desse tipo de hardware é que eles operam em uma junção de muito aprendizado de máquina, componentes de hardware para que a máquina consiga mapear o mundo (ex. LIDAR), dados (ex.: mapas, dados de tráfego em cidades, inteligência de trânsito colaborativa – Waze), muita execução em software e o usuário centrado no meio da experiência, por exemplo, com iniciativas mais tímidas como Apple CarPlay e Android Auto. É importante entendermos como essa verticalização em cima de componentes, capacidade de conectividade e experiência centrada no usuário vai permitir a próxima onda de evolução nesse mercado.

Outro campo importante para acompanharmos em 2017 são iniciativas como o Spectacle, o óculos do Snapchat, e outras mais imersivas como AR e VR. Cada vez mais o componente central da experiência é determinado pelo smartphone e a sua capacidade e compatibilidade para tais tipos de solução (provavelmente é por isso que a Google se destacou um pouco e lançou o Pixel – assim ela garante a qualidade da experiência ponta a ponta). Nesse âmbito, temos que ficar de olho em empresas como: Oculus (Rift), Magic Leap e Holo Lens, entre outras. De novo, o perigo aqui é entrarmos em um inverno de VR, no qual as expectativas infladas em relação à tecnologia sejam substituídas por um ceticismo em relação ao seu uso.

Sistemas operacionais e app stores

Desde 2015 dizemos que a briga entre plataformas estava entre três principais concorrentes: Android, iOS e a web como plataforma. Em 2016 isso se consolidou e a partir dessa estabilidade surgiram novas oportunidades: Bots no facebook e em outros canais, app stores customizadas ou específicas para nichos e tipos de aparelhos distintos (Alexa Skill store, iMessage Apps, WeChat mini programs, entre outros).

Em 2017, a tendência vai ser muito menos ditada pela vitória de um sistema operacional em relação a outro e muito mais em relação ao que é possível ser feito juntando hardware e apps em cima do sistema operacional. Podemos dizer que a briga entre os sistemas operacionais em mobile já acabou, com Android na dianteira, iOS direcionado para classes A e B e Windows Phone saindo da jogada.

Conclusão: e o que vem por aí?

Parece que dentre tudo o que já falei nesses posts, o que mais se destaca são as iniciativas voltadas para realidade virtual e aumentada, machine learning e IoT. O mundo está ficando cada vez mais conectado, e as evoluções já mostradas em 2016 devem continuar ganhando força em 2017, com as barreiras cada vez perdendo mais força.

Interfaces conversacionais e bots também parecem se tornar cada vez mais comuns, e o uso dessas tecnologias deve ser adotado por todos os players que estiverem à frente da concorrência.

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Por fim, 2017 deve ser o ano em que os projetos para carros autodirigíveis devem começar a sair do papel e a inovação na área de mobilidade e transportes deve ser acentuada. Alguns indicativos dessa “previsão” são o surgimento e a atuação de empresas como Waymobi, Waze, Lyft, Zazcar, Apple Car, Google Car, Tesla, Otto, Uber, Didi Chuxing entre diversas outras. O investimento de 100 milhões na 99Taxis, a Tesla detectando uma colisão segundos antes de acontecer e um suposto carro do Uber autodirigido atravessando um sinal vermelho nos Estados Unidos são outros sinais de que a tecnologia nessa área está evoluindo e deve ganhar ainda mais força em 2017.

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Nesse sentido, uma briga boa que podemos acompanhar é entre Apple Carplay x Android Auto. É provável que as gigantes não queiram ficar para trás nas tendências, então vão cada vez mais investir nesse segmento. Já estamos ansiosos para ver as novidades! E você? Deixe abaixo o seu comentário. Se tiver alguma dúvida ou acha que faltou falarmos de algo, também aproveite os campos abaixo. Até a próxima!

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