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LEAN UX: projetando de forma ágil a experiência do seu usuário

  • Blog
  • 13 de Fevereiro de 2017
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Protótipo na mão imperfeito é melhor do que uma ideia perfeita.

Um cenário muito comum e vivido por boa parte dos desenvolvedores que conheço é estar distante do processo de criação das interfaces. Muitas vezes há falta comunicação entre o designer e o time de desenvolvimento, e o resultado disso são interfaces visualmente lindas mas muitas vezes inviáveis de serem implementadas, seja por falta de tempo hábil ou por limitação de determinada tecnologia.

Em resumo, o time de designers conceitua o produto, aprova com o cliente e não envolve o time de desenvolvimento durante o processo. Com isso, os desenvolvedores recebem em suas mãos diversas interfaces aprovadas e tem o desafio de codificar um projeto do qual não participaram desde o início.

Eu costumo dizer que o desenvolvedor é um aliado do UX designer, pois somente juntos conseguem projetar a melhor experiência para o usuário.

O Lean UX é uma das formas de amenizar esse problema de comunicação e tornar o processo colaborativo entre todos os membros do time. Assim, evitamos desperdícios e no final conseguimos entregar um produto que deixe seus usuários satisfeitos.

Desenvolvimento usando metodologia em cascata

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Em geral, em um projeto que segue a metodologia cascata, o time de designers seguem os seguintes passos:

– Espera por definições de requisitos do cliente;
– Análise dos documentos e especificações e cria seus primeiros entregáveis, como
sitemaps, cenários, fluxogramas, personas etc;
– Desenvolvimento de wireframes para cada tela;
– Busca de consenso das partes envolvidas para aprovação com o cliente;
– Criação do design visual para cada tela do wireframe;
– Busca de consenso das partes envolvidas para aprovação (após várias rodadas de revisão e ajustes);
– Criação de documentações especificando cada interação e guia de estilos visuais (Tipografias, cores, ícones etc);
– Testes de usabilidade em protótipos navegáveis para identificar possíveis falhas;
– Se necessário, mais ajustes para corrigir possíveis erros identificados no teste de usabilidade;
– Entrega para o time desenvolvimento para o início da execução.
– Time de desenvolvimento levanta possíveis impedimentos de tecnologia na execução da interface que não foram planejados no design

Não é de se estranhar que todo esse processo seja demorado. Ele pode levar de 1 a 8 meses, dependendo do escopo (obviamente).

O que é Lean UX?

Primeiramente é importante ressaltar que a área de UX Design é composta por diversas disciplinas:

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Cada uma dessas áreas é pautada na geração de documentos, mais conhecidos como entregáveis de UX (fluxogramas, sitemap, wireframes, inventários de conteúdo, taxonomias, personas, cenários, Workflow etc.;), este processo colocou os UX designers como especialistas em criação de documentações. Quando isso é aliado à metodologia de desenvolvimento em cascata, o UX designer usa uma grande quantidade de tempo para produzir e manter esses documentos atualizados, perdendo assim o foco no seu principal objetivo, que é projetar experiências.

O Lean UX foi inspirado nas metodologias Lean Startup e Agile e visa justamente proporcionar mais agilidade em todo o processo, dando mais ênfase nos resultados gerados e focando no projeto da experiência do usuário. Ao invés de se concentrar em gerar grande quantidade de documentos, como o próprio nome sugere (LEAN – enxuto), o foco é produzir apenas o mínimo de documentação necessária. E muito mais do que isso, o  método lean visa validar com mais rapidez uma hipótese por meio de prototipagem > testes > aprendizado.

Lembrando que é possível executar o lean ux em um ambiente waterfall de desenvolvimento, pois o importante é validar, mesmo que você crie “estoque”. Entretanto, claro que o melhor é não criar estoque, o ideal é juntar o lean ux com a agilidade de desenvolvimento.

Os documentos tradicionais são descartados ou pelo menos reduzidos, fornecendo apenas o mínimo de informação necessária para começar a implementação. Longos ciclos de projeto detalhados são evitados em favor de ciclos mais curtos e iterativos, com feedback proveniente de todos os membros da equipe de desenvolvimento de forma frequente.

Com isso, a possibilidade de fazer ajustes mais precisos no produto é maior.

Como funciona o Lean UX?

Por se basear em hipóteses que testam ideias do projeto o mais cedo possível e muitas vezes se necessário, essa metodologia permite que seja criada uma compreensão mais clara e compartilhada por todos os membros do time, o que elimina as dependências de documentações. Assim, o processo de concepção da experiência do usuário é colaborativo, todos participam.

O objetivo é sempre ter um protótipo navegável para ser validado primeiramente de forma interna (stakeholders) e em seguida com usuários reais do produto. Quando testar?  O quanto antes possível for, melhor. Quando testamos um protótipo com usuários podemos efetuar possíveis correções de alguns erros e ir avançando em uma próxima versão com os ajustes feitos com base na versão anterior.

O Lean UX traz o conceito de trabalhar com pequenos ciclos de concepção e testes com os usuários finais. Aliado à abordagem de time multidisciplinar, todos dão visões diferentes para o produto e o resultado é muito mais efetivo.

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Lean UX trabalha com pequenos ciclos, nos quais o importante é ter um protótipo para ser testado.

– Descobrir: momento inicial, quando são identificadas as reais necessidades do usuários e as estratégias do produto. Aqui é necessária a imersão de todos do time e o designer UX pode usar técnicas de pesquisa para entender como as pessoas se relacionam, vivem e trabalham dentro de um determinado contexto que é levantado, além de analisar produtos similares e entender o mercado;

– Definir: o time refina as informações coletadas no product discovery e inicia o processo de criação de alternativas (sim, muitos e muitos wireframes) para atender o problema em questão. Em seguida, cada membro do time apresenta seu wireframe, que poderá ganhar mais maturidade com as ideias apresentadas em outros wireframes por outros componentes do time;

– Desenvolver: depois da apresentação de todas as ideias, o time coleta as melhores em cada wireframe e monta uma versão colaborativa e única para atender as necessidades dos usuários. A partir desse momento, os protótipos passam a ganhar vida;

– Entrega: início dos testes com aquelas pessoas que pertencem ao grupo de usuários finais do produto. Dado isso, o foco do time passa a ser colher os feedbacks dos usuários e iniciar os ajustes que forem necessários. Assim, chegamos a uma segunda versão já com os ajustes refinados e pronta para ser submetida a uma nova rodada de testes com os usuários.

Observe que em todo o processo UX/designer e desenvolvedor atuam conjuntamente no produto. Importante lembrar também que essas fases não são totalmente distintas, uma após a outra, mas podem ocorrer simultaneamente para features diferentes, ou depois que estivermos na fase de entrega, voltar para a fase de desenvolvimento. Tudo vai depender dos feedbacks recebidos nos testes com stakeholders e usuários.

E é isso! Ficou alguma dúvida ou tem alguma coisa a dizer sobre o assunto? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!

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