Concrete Logo
Hamburger button

Craft Product Arena e os desafios para 2017

  • Blog
  • 3 de Março de 2017
Share

No último dia 18 de fevereiro participamos do Craft Product Arena, que reuniu boa parte da comunidade de produtos digitais no RJ. O evento tinha como objetivo abordar os desafios de produto para 2017 e contou com uma mesa redonda com 5 participantes e uma palestra fantástica ministrada pelo nosso sócio Victor Oliveira.

image01

VO abrindo um sorrisão no meio da palestra. 🙂

Conversamos sobre Inteligência Artificial, tracking de comportamento dos usuários, diferentes perfis de um profissional de produto, o caminho de evolução de devices mobile e tantos outros assuntos superinteressantes.

Eu (aparentemente explicando algo e fazendo cara de conteúdo) e o Arthur Castro, da Youse.

Eu (aparentemente explicando algo e fazendo cara de conteúdo) e o Arthur Castro, da Youse.

O tema que escolhi para abordar na mesa redonda é algo que acredito que será decisivo e que nos exigirá intensa dedicação, estudo e espírito inovador para superar neste ano: o abismo da cultura de produto.

No mundo da tecnologia, nossa expectativa é que tudo mude muito rápido. Em 5 ou 10 anos não esperamos mais trabalhar com as mesmas tecnologias que usamos hoje. No entanto, a mudança de cultura não segue o mesmo ritmo.

Vamos falar um pouquinho da curva de adesão ao agilismo?

Os inovadores criaram o agilismo em 2001. 16 anos é muito para tecnologia, mas muito pouco para cultura. Os visionários adotaram o agilismo ao longo deste tempo e portanto, por premissa, deveriam usar Lean/Ágil para criar produtos. Certo?

Temos algumas pesquisas que mostram o desenvolvimento “ágil” de produtos digitais como a norma hoje em dia.

image02

Entre empresas que tendem ao agilismo, são híbridas (parte ágeis parte waterfall) e são puramente ágeis, temos 91% da amostragem informando que são, ao menos parcialmente, “ágeis”. No entanto, a experiência me indica que esta auto-identificação com o agilismo vai apenas até o ponto em que “somos ágeis, trabalhamos com sprints”. Ela frequentemente também significa algum tipo de variação sobre “somos ágeis, mas sabemos o escopo completo do produto que vamos construir ao final de 6 meses – e não, nem o escopo nem o prazo podem ser mudados”; “somos ágeis, mas este relatório de pesquisa de uso e demanda da aplicação não é relevante. Vamos desenvolver a feature que o diretor pediu”; “somos ágeis, mas não é necessário iterar e aprender. Vamos terminar o produto na data tal.”

Não me entenda mal: eu acredito firmemente que cada uma das frases acima é baseada na firme crença de que este é o melhor caminho. Em muitas situações, a hipótese do diretor pode inclusive se provar perfeitamente acertada, dado que ele conhece o negócio. Mas este descolamento da cultura lean de criação de produtos é, sobretudo, sintoma de um problema muito maior.

image03

Veja a curva de adesão ao agilismo e compare à curva de adesão a novas tecnologias. Estes sintomas são coerentes com o momento em que estamos vivendo. Os inovadores criaram o agilismo em 2001, e os visionários adotaram o agilismo até a metade dos anos 10.

image05

Agora chegamos ao chasm, o abismo que precisamos sobrepor para permitir que a early majority chegue. Este abismo se expressa em empresas que se declaram ágeis quando encontramos pessoas que fazem produto e dizem “scrum é muito bonito, mas a gente sabe que na prática não funciona, né?”. Este abismo se caracteriza quando verificamos que nestas empresas temos sprints de “iniciação, elaboração, construção e transição”, ou qualquer outra grave disfunção semelhante. É claro que todas estas pessoas terão a percepção que o agilismo não funciona. Elas não têm real contato com o agilismo.

Este fenômeno não é nem de longe uma exclusividade tupiniquim. Jeff Gothelf descreve o mesmo fenômeno em um artigo de dezembro de 2016: “O Ágil, como vem sendo implementado na maioria das companhias, se tornou um processo “burro”. Ele não tem um cérebro. Os ciclos de feedback originalmente pensados para informar os passos seguintes se tornaram pontos de controle para garantir que entregamos tudo o que nos comprometemos a fazer duas semanas antes. (…) Se o valor é entregar funcionalidades o mais rápido possível, então todas as funcionalidades são iguais. O “valor” que a corporação está medindo é deploy. Se torna incrivelmente difícil priorizar, porque tudo que importa é fazer o deploy de código sem bugs. Ninguém está perguntando se uma feature agrega mais valor do que outra. Enquanto a  métrica de velocidade estiver subindo, a gerência está feliz.”

Ninguém é vilão da sua própria história.

Ninguém é vilão da sua própria história.

Parece um cenário no qual “a gerência” ou “o cliente” ou “a empresa” estão agindo errado. Mas tenha a certeza que, para citar o Victor Oliveira, “todo cliente, todo stakeholder, todo diretor, toda pessoa que está genuinamente investindo dinheiro para fazer um produto quer a mesma coisa: engajamento; qualidade; usuários satisfeitos; um produto de sucesso.” O único motivo pelo qual essas pessoas estão agindo de uma forma que parece ir contra esses objetivos é porque elas não vêem que eles serão alcançados pelo caminho que estamos tomando. É neste momento que precisamos nos posicionar, de forma a prover o máximo de informações para estas pessoas tomarem uma decisão acertada. Mesmo que seja uma decisão que discordamos, é importante que a encaremos como uma hipótese a validar. Que peçamos ajuda para definir métricas para esta hipótese e depois retornemos com resultados. Que mostremos como trabalhar desta forma pode ajudar e mudar a direção do processo de criação de um produto para melhor.

Dinâmica de troca de cards com conceitos de lean e ágil para conhecer melhor os participantes. :D

Dinâmica de troca de cards com conceitos de lean e ágil para conhecer melhor os participantes. 😀

Como product owner, acredito que não existe solução viável para sobrepor o abismo que não passe por mudança de cultura. E como membro da comunidade de produto, acredito que cabe a nós entender este gap e atuar como difusores da cultura lean e ágil. Acredito plenamente na nossa capacidade em liderar a superação do abismo. Cabe a nós, por meio de dados e fatos, com empatia, com foco nas pessoas e fazendo o que fazemos de melhor, mostrar o valor que esta evolução na forma de fazer produto traz para nossos clientes e stakeholders. Esta é nossa responsabilidade. Porque senão nós, quem?

Agradecimentos ao Flavio Lages, ao Horacio Soares e à Carol Almeida, além de Alex Albuquerque, Maycon Correia, Rafael Louzada e Richard Johansen pela dedicação em viabilizar o evento, à Concrete Solutions e Bazah & time por patrocinar e apoiar o Craft Product Arena.

Precisamos muito de momentos assim, sempre.

Algumas referências:

https://www.linkedin.com/pulse/agile-transformation-lessons-through-simon-sineks-start-zach-bonaker

https://techbeacon.com/survey-agile-new-norm

https://hackernoon.com/agile-doesnt-have-a-brain-51c2835a838#.ly3m2o52w

Ficou alguma dúvida ou tem algo a dizer? Aproveite os campos abaixo! Até a próxima.

Acredita que o ágil é melhor caminho pra seu produto mas ainda não sabe como adotá-lo da melhor maneira? Converse com a gente =)