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O Monge e o Desenvolvedor

  • Blog
  • 19 de Junho de 2017
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Vamos brincar de explicar o mundo de desenvolvimento de produtos digitais e metodologias ágeis usando metáforas. Sua imaginação está boa? Gosta de contos medievais? RPG? Mesmo se suas respostas forem ‘não’, dá uma lida. Vai ser divertido!

O Milagre do Cavalo

Imagine um mosteiro medieval onde há monges milagreiros. A missão deste mosteiro e destes monges é fazer o bem com seus milagres. Imagine agora que você é um aldeão que perdeu seu único cavalo devido a uma doença terrível. Você vai até o mosteiro e faz o pedido de um milagre. “Ressuscitem meu cavalo, por favor, ele era a fonte do meu sustento!”. Algum tempo depois, você está triste em sua propriedade, olhando para seu cavalo caído no campo quando, de repente, uma bola de luz branca cruza os céus e acerta em cheio seu cavalo que se levanta em um pulo e corre pelo gramado no auge de sua forma física. “Milagre! Milagre!” – Você grita. “Como será que estes monges conseguem isto?”

O que acontece dentro do monastério é um segredo guardado há séculos, mas eu te conto.

Ao receber o pedido dos aldeões, os monges milagreiros se trancam em um templo sem janelas, móveis ou qualquer outro tipo de distração. Usando seus trajes negros, eles se sentam em posição de meditação, formando um círculo e começam suas preces.

Totalmente concentrados, focados e determinados, os monges, com suas orações, fazem surgir um pequeno ponto de luz no centro da roda formada por eles. Este pequeno ponto, do tamanho de uma pérola, flutua iluminando os rostos dos religiosos que começam a entrar em transe. As preces vão ficando mais intensas e o ponto de luz vai ganhando volume. Mais e mais preces, cada vez mais vigorosas. Agora a bola de luz branca possui o tamanho de uma bola de canhão e já clareia todas as paredes do templo. Não é mais possível ver as íris e pupilas dos homens que estão rezando, pois seus olhos estão revirados devido à concentração máxima em que se encontram. Feixes de luz branca vazam pelas frestas das portas do templo, que não disfarça o tremor que agora existe em sua estrutura. Quando a bola de energia atinge um tamanho adequado para ressuscitar um cavalo, os religiosos a lançam para fora da propriedade, em direção ao vilarejo onde está o animal morto que deve ser reanimado.

Do lado de fora, próximo a uma das portas principais do templo, está o Abade. O sábio homem, além de líder do monastério, tem a função de não deixar que nada interrompa as orações que estão sendo feitas. Ele prepara o ambiente do templo, reúne todas as condições necessárias para que as cerimônias aconteçam, lida com a ansiedade dos aldeões que estão desesperados por milagres e ensina aos monges menos experientes o caminho para se realizar tais feitos.

No vilarejo, o choque da massa de energia luminosa com o corpo do cavalo é tão violento que arranca a porta do casebre do aldeão, mas este não se importa, pois seu cavalo, fonte de seu sustento, está vivo e bem disposto.

Cara, do que você tá falando? Ficou maluco? Que história viajada é essa? 

Estou falando sobre desenvolvimento de produtos digitais! Olha só!

O cavalo morto é o seu cliente, que não quer comprar seu produto, não quer saber de você, ou simplesmente está morto para um determinado nicho de mercado. Eles precisam ser atingidos por uma super bola de luz enérgica: seu produto! Que você encomendou para quem? Para os monges, ou melhor, para um Time de Desenvolvimento. Esta equipe é formada por pessoas capazes de conceber um software, um aplicativo, um sistema web, ou qualquer tipo de produto digital que vai realizar o milagre de reanimar seu cliente.

Eu gosto desta metáfora dos monges pois ela mostra quanto um Time de Desenvolvimento é importante. Na maior parte das empresas de desenvolvimento de produtos digitais, estes times ocupam o nível mais baixo da escala hierárquica, precisam responder a vários níveis de chefia, possuem os piores equipamentos, ocupam as piores estações de trabalho, etc. E isto se deve à tendência que temos de relacionar ‘especial’ a ‘único’ no sentido individual. O presidente da empresa é importante pois só existe um. O Neymar é importante para o futebol brasileiro pois só existe um. A Aretha Franklin é importante para a música pois só existe uma. Já o Time de Desenvolvimento é um bloco de pessoas, isso não parece nada especial. Mas quando pensamos na história dos monges, naturalmente percebemos que eles são importantíssimos. Talvez os mais importantes no processo produtivo ou na geração do milagre.

Além disto, uma bola de luz branca é tão intangível quanto um software, bem como atingir satisfatoriamente um nicho de mercado é tão difícil quanto um milagre.

E esse Abade aí? Quem é?

Ora. O Abade é o líder-servidor. Em termos modernos ele seria o Agile Coach ou Scrum Master em times ágeis.

Aí você forçou a barra, hein!? 

Ah é? Então vamos voltar à nossa metáfora medieval.

“… As preces vão ficando mais intensas e o ponto de luz vai ganhando volume. Agora a bola de luz branca possui o tamanho de uma bola de canhão e já clareia todas as paredes do templo. Não é mais possível ver as íris e pupilas dos homens que estão rezando pois seus olhos estão revirados devido à concentração máxima em que se encontram. De repente, alguém bate à porta do templo. A energia se dissipa instantaneamente, a massa de luz volta a ser um ponto, mas os monges continuam a orar. Novamente batem à porta. O ponto de luz se extingue de vez, as orações cessam, um dos monges se levanta e vai atender aos batidos. ‘Oi, tudo bem? Eu sou o aldeão que pediu o milagre do cavalo, sabe? Então, quando é que fica pronto?’ … ”

Nem preciso comentar, né!?

E pode ser pior, imagine que quando os monges resolvem entrar no templo a porta está trancada, ou o templo está sendo usado como estábulo e está cheio de gado. Poderia ainda acontecer de um monge noviço ficar perdido em meio à cerimônia do milagre e suas preces não serem eficazes. Quem sabe até dois monges que não se gostam e não aceitam orar juntos poderiam atrapalhar todo o processo.

Quem garante que as cerimônias vão acontecer da melhor forma possível é o Abade. Traduzindo para o século XXI, quem garante que os ritos ágeis e seus valores serão entendidos e praticados é o Agile Coach / Scrum Master.

Para concluir…

Duas conclusões interessantes aqui e boas para se refletir:

1. O Time de Desenvolvimento é uma das peças mais importantes (se não a mais) na geração de produtos digitais. Pense nisso ao tratá-los como “peões chão-de-fábrica”.

2. A frase ‘O Scrum Master se torna desnecessário com o tempo’ pode não ser tão verdade assim. Pensa comigo, esse monastério funcionaria sem o Abade?

 

Tem respostas para essas perguntas ou algo a dizer sobre o tema? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!

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