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Como a “pessoa” de produto prova o seu valor

  • Blog
  • 28 de Agosto de 2017
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Vou contar uma história para vocês…

No início da minha carreira, quando comecei a trabalhar na área de Produto, eu era Scrum Master e “liderava” um time de uns cinco desenvolvedores. Entrei nesse time no meio de uma sprint, quando eles estavam trabalhando em uma história chamada “Site Redesign”. Rodamos uma sprint, e outra, até… coloca aí que eu fiquei no time durante umas três ou quatro semanas, nesta história. No fim, a história “Site Redesign” era simplesmente o redesign de TODO o site. Vamos chegar ao fim de uma vez por todas e cortar os detalhes? Deu errado. E a maior parte da culpa foi do SM. Será?

Vamos lá. O Redesign do site não estava fatiado, era um épico monstro, e mesmo assim estava para ser feito, com data acertada com stakeholders externos. A velocidade do time foi ignorada, não tínhamos visão de produto e qual era o objetivo da sprint? Redesign do site. Além disso, o PO estava ausente (viajando. É sério).

Como fui parar em Produto

Eu sou formado em Engenharia de Computação e por isso gosto da parte analítica da coisa. Gosto de resolver problemas, mas nunca gostei de programar de fato. Sou apaixonado por uma boa experiência de usuário. Sou daqueles que ficam reparando se tem erro de Design em uma porta que diz “empurre”, mas parece que é pra “puxar”. Gosto de marketing. Sou ansioso pelo resultado, mas entendo o tradeoff de eficiência e da eficácia no desenvolvimento de produto. Gosto de desenvolver, mas eu tinha certeza que codar não era o caminho para a minha carreira. Achei que poderia ser SM por gostar de liderar, mas aí me deparei com o Inspired, meu primeiro livro sobre produto. Eu gostava de um monte de coisa e ao mesmo tempo não me encaixava em lugar nenhum. Foi caminhando em direção à área de produto que encontrei o “perfect match”.

O bom Product Owner

Um bom PO consegue atuar na intersecção da tríade: Negócio, Design e Engenharia. Portanto, entende as necessidades dos consumidores, do negócio e percebe a viabilidade técnica. Ao mesmo tempo em que é analítico e gosta de experimentar, um bom PO também é visionário e criativo. Está entre um cientista e um artista. Consegue fazer com que o time trabalhe com uma visão única em busca do mesmo objetivo. Tudo isso além de manter o backlog do produto atualizado e priorizado e ter uma visão de produto compartilhada.

Um bom PO é também responsável por desenhar o produto que agrega mais valor até uma data desejada. Podem ter outras pessoas apoiando, mas ele deve ser o principal responsável se algo der errado, o que não quer dizer que outros membros do time não são. Mesmo porque ele não trabalha sozinho, trabalha junto com o time. Ele desenha, valida e descreve os detalhes de um produto, cria os itens de backlog, aprende com clientes e usuários, interage com stakeholders para receber feedbacks ou comunicar algo… Tudo isso, de novo, junto com o time.

O PO está em uma posição singular, na qual tem contato com a área comercial, de marketing, suporte, usuários, clientes e financeiro, entre outras. É a pessoa que pode maximizar o valor gerado do produto e o trabalho do time para satisfazer todas as partes interessadas, mantendo a integração entre todos os envolvidos e garantindo a comunicação entre eles. E é por isso, normalmente, que ele é o mais cobrado para obter o produto desejado.

E como ele trabalha? Gerenciando o que fazer por meio de uma liderança legitimada durante o fluxo de trabalho do time e selecionando os itens de backlog de maior prioridade com a finalidade de iterar e evoluir o que já possui, atacar novas necessidades de usuário, melhorar a qualidade técnica ou criar novas ideias.

Você precisa provar seu valor

Se o começo da minha carreira foi marcado vendo erros e aprendendo o que não fazer, anos depois foi a minha vez de errar. Assumir que outra pessoa errou é julgar sem ter empatia e sem nunca ter vivenciado o que ela experimentou.

Ao querer fazer produto do jeito “certo” (o que é o certo em desenvolvimento de produto, afinal?), aceitei que o time de TI executasse com a máxima eficiência (100% de cobertura de teste, por exemplo… entre outras coisas) em um contexto que não era necessário e por conta disso as coisas estavam demorando a sair e nada estava sendo entregue. Quando meu gestor entendeu o que estava acontecendo, veio conversar comigo e disse uma frase que nunca vou esquecer: ”A diferença de executivos bons e executivos ruins é que executivos bons entregam resultado. No final do dia é isso o que importa.”

Sem desenvolvedores, softwares não são construídos. Sem designers? Usabilidade e experiência ruins. E sem POs ou gerentes de produto? Sejamos honestos, produtos podem ser feitos. É por isso que se você quiser ir para a área de produto, a primeira coisa que você tem que fazer é provar o seu valor.

E a capacidade de executar o trabalho e entregar resultado fora das condições normais é uma skill valiosa. Para não virar um modus operandis no qual os fins justificam os meios, liderança legitimada é uma das chaves e, para isso, confiança é a base. E confiança leva tempo, logo não existe mágica.

Descubra como provar o seu valor o mais rápido possível. Não existe um framework para ser PO. Use todas as ferramentas que há por aí: Lean, canvas, roadmaps, teste A/B, customer development, funis de conversão etc. Veja qual você gostou mais e use-a com profundidade, descarte as outras. Justifique suas ações com métricas.

As pessoas precisam saber que podem confiar no piloto que vai conduzi-las. Pessoas desenvolvem softwares. E a ‘pessoa de produto’, seja ela Product Owner ou Product Manager, gerencia softwares liderando pessoas.

Ficou alguma dúvida ou tem algo a dizer? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!

É PO e quer trabalhar em um time fantástico? Deixe seu currículo.