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Como criamos uma palestra como produto

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  • 6 de Outubro de 2017
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No início de setembro estivemos no HackTown 2017 em Santa Rita do Sapucaí falando sobre Canvas e Modelos de Negócio. Como tudo que desenvolvemos é (ou fazemos o possível para que seja) empírico, iterativo e incremental, não faria sentido que o workshop fosse diferente. Naturalmente, para nós, acabamos por transformar esta experiência no desenvolvimento de um produto.

Já havia palestrado antes, mas sempre com um tema que havia escolhido e com o qual estava confortável em falar. O convite do pessoal do GDC veio de forma inesperada: em uma visita à Concrete, Viviane recebeu a “encomenda” de falar sobre Canvas. A resposta foi imediata: “Sim, claro que falo.”

Não havia nada preparado. O assunto não era uma novidade, mas o usamos na prática, no dia a dia. Para nós, Canvas é meio e não fim… nossa especialidade é produto. Dessa forma fizemos do workshop um produto. Ufa.. que alívio, isso facilitou as coisas.

Mas é preciso mais do que a ideia na cabeça de uma pessoa para que um produto seja feito. Então, Viviane convidou a mim, Juliana, para realizarmos juntas. Definido o time iniciamos a  parte prática: o que iríamos falar? Como iríamos transmitir o conteúdo? Dinâmicas? Slides?

Começamos delimitando o tema: escolhemos focar não apenas no Business Model Canvas porque, apesar dele ser o primeiro Canvas, o mais importante era conseguirmos fazer as pessoas pensarem na relação que cada um dos quadrantes tem com o negócio, independente do modelo de Canvas escolhido.

Business Model Canvas

Com este direcionamento, criamos o MVP do workshop e precisávamos o mais cedo possível, falar com usuários. Convidamos o time da Concrete para participar desta primeira versão, assim poderíamos iterar nosso produto e fazer as alterações antes do lançamento.

O objetivo era validar o conteúdo e formato do workshop. Queríamos testar se o conteúdo estava acessível tanto para o público que nunca tinha ouvido falar de Canvas, quanto para quem já tinha experiência. Adicionalmente, queríamos validar se as dinâmicas estavam adequadas e se o tempo programado para cada uma delas faria sentido.

Então, no dia 6 de setembro, quarta-feira, rodamos o MVP com nossos beta testers (obrigada, pessoal <3) e tivemos alguns feedbacks que nos ajudaram a validar algumas hipóteses e rever outras tantas. Realizamos ajustes na ordenação do conteúdo, nas dinâmicas e voilá: em dois dias tínhamos um produto (mínimo, mas viável) pronto para ser lançado no mercado.

Dinâmica MVP

Como 10 em 10 lançamentos de produtos, surpresas acontecem. No dia 7 ainda faltavam pequenos ajustes. Chegaríamos à cidade uma noite antes, trabalharíamos na apresentação e falaríamos no dia seguinte, lindo. Fazia parte de nossa entrega estar lá e… perdemos o horário do nosso transporte, por dois minutos. Rapidamente revisamos o plano (que é mais importante do que o planejamento) e fomos na manhã seguinte.

Chegamos em Santa Rita do Sapucaí na sexta-feira pela manhã e à tarde lançamos o produto para o público.

Neste dia tivemos doze participantes no workshop e focamos a dinâmica no Business Model Canvas. Dividimos a turma em dois grupos de seis integrantes e cada grupo ficou responsável pelo preenchimento do Canvas de seu produto fictício. Nos dividimos  para auxiliar e facilitar o preenchimento do Canvas de cada um dos grupos.

Ao final do workshop, fizemos uma mini retrospectiva: conversamos sobre os feedbacks recebidos, sobre a forma como o público reagiu ao tema, vimos quais expectativas não haviam sido cobertas, observamos o que deu certo e o que poderia melhorar. Assim, realizamos uma nova iteração e evoluímos o produto para o próximo workshop.

Dinâmica: primeiro dia, workshop

No dia seguinte, sábado, apresentamos a nova versão do produto. Desta vez testamos o preenchimento do Lean Canvas, já que observamos que no preenchimento do Business Model a discussão ficou em um nível muito estratégico do produto. Acreditávamos que, ao preencher o Lean, conseguiríamos afunilar mais a solução e que criaríamos um produto mais enxuto.

Lean Canvas

Também alteramos o formato da dinâmica: como era um grupo maior (quinze pessoas), resolvemos montar apenas um Canvas para todo o grupo. A ideia aqui era estimular a colaboração e, consequentemente, tornar a dinâmica mais rápida, já que acreditávamos que desta forma todos entrariam em consenso em relação aos itens de cada quadrante.

Novo fim de ciclo, nova retrospectiva e novos aprendizados (não é que esse negócio funciona?) que compartilhamos a seguir:

Dinâmica: segundo dia, workshop

Aprendizados

  • Os participantes pensam muito em segmentação do usuário, detalhando a ponto de imaginar como esta persona se sente em relação à confiança na marca;
  • Eles acabam focando muito em resolver detalhes específicos do produto, no entanto, existe uma grande dificuldade em definir a proposta de valor, em colocar em poucas palavras o que o seu negócio faz;
  • Quando as pessoas pensam em um produto que não é o delas, surgem muitas dúvidas em relação a sua viabilidade. Acreditamos que seja motivado pela falta de contexto, pois, quando fazemos este mesmo exercício em clientes, que já tem um produto e estão inseridos em seu contexto, esta dinâmica funciona;
  • Canais, estruturas de custos, fontes de receita e métricas são especialmente difíceis de serem inferidos se as pessoas não tiverem o contexto do produto;
  • Ter um público misto, com pessoas de diversas disciplinas, fez bem para a discussão;
  • De qualquer forma, é importante nivelar as expectativas dos participantes sobre o workshop. Algumas expectativas que não foram atendidas tinham a ver com a análise de negócios como um todo;
  • O preenchimento do Canvas deve ser feito em grupos de no máximo nove pessoas. Quando este número é ultrapassado, são muitos canais de comunicação abertos, se torna difícil estabelecer um consenso;
  • Com grupos muito grandes também notamos que algumas pessoas acabam sequestrando a discussão e sugerindo muito mais, enquanto quem tem um perfil naturalmente mais introvertido, acaba assistindo a discussão e opinando em alguns poucos pontos;
  • As pessoas amam exemplos. Falar de produtos que existem e como suas informações preencheriam os quadrantes, enchia os olhos e prendia a atenção dos participantes.

Roadmap

Depois de todos esses feedbacks, é claro que temos algumas ideias sobre como evoluir o produto:

  • Melhorar o pitch da palestra, dizendo o que ela é e o que não é, para alinhar as expectativas;
  • Diminuir o conteúdo sobre plano de negócios tradicional, explicando que o nosso objetivo não é explicar sua estrutura, mas sim explicitar a diferença do Business Model Canvas e do plano de negócios;
  • Incrementar a apresentação incluindo uma descrição orientada a tempo, sugerindo em qual parte da jornada de um novo um produto cada Canvas se encaixa;
  • Incluir exemplos sobre como criar uma uma boa métrica, incluindo algumas sugestões do livro Lean Analytics.

O que queremos descobrir?

Um ponto que percebemos que precisamos explorar é como explicamos e restringimos a questão da proposta de valor. Temos uma hipótese a ser validada: se preenchermos com exemplos de produtos reais, conseguiremos ensinar pelo exemplo.

E como pretendemos fazer isso? A ideia é apresentarmos um produto real, que já esteja no mercado, muito conhecido e seu Business Model Canvas. Em seguida, vamos apresentar o Lean Canvas de uma parte deste produto e focaremos a dinâmica no Opportunity Canvas de uma feature do produto.

É provável que não haja tempo de passar por todos quadrantes do Canvas. Nossa hipótese é começar pelos quatro quadrantes principais e explicar o raciocínio utilizado para o preenchimento e, em seguida, partir para o conteúdo de outros quadrantes, um a um, e assim por diante.

Opportunity Canvas

Retrospectiva

Negativos

  • Perdemos o ônibus, que era o último do dia e só pudemos chegar no dia seguinte;
  • Permitimos que participantes entrassem depois de iniciada a apresentação e os envolvidos não ficaram tão comprometidos quanto poderiam;
  • Podíamos ter mediado melhor. Alguns dominaram a discussão enquanto outros se sentam à parte e se distraíam com o celular;
  • Tempo é importante. Às vezes deixamos o time box pra lá e no fim deixamos de falar tudo o que era importante.

Positivos

  • Conhecemos um cidade nova;
  • As pessoas se interessaram pela palestra;
  • Tivemos proposta para realizar a mentoria de pessoas que se interessaram pelo conteúdo;
  • Falamos no final do primeiro dia, com outras palestrantes mulheres e foi incrível;
  • Muitos feedbacks (positivos e negativos) que fizeram com que agora a gente tenha um produto melhor;
  • Nossa mensuração de receita foi em sorrisos (já que foi um evento beneficente).

O principal aprendizado aqui é que depois de alguns anos trabalhando com produtos ainda somos capazes de nos surpreender sobre como levamos isso para a vida. Existe uma máxima que para quem só tem martelo, tudo é prego. Há uma certa razão nisso aqui.

A forma como desenvolvemos produtos transformou nosso jeito de aprender e de ensinar fazendo disso sempre um experimento. Ela norteia nossa agenda e nossas entregas que reduzimos, fatiamos e priorizamos por valor. Também determina nossas relações com quem trabalhamos, em times, privilegiando menos o ego e mais colaboração e troca de conhecimento. Uma vez aprendidos, os pilares e os valores estão em tudo o que fazemos.

Não vemos a hora de participar de outros eventos assim. Agradecemos pelo convite e aos nossos participantes pela oportunidade de fazer, de um jeito diferente, o que adoramos fazer.

Quer discutir sobre Canvas? Produto? Estamos aqui e queremos conhecer suas opiniões e comentários!

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