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Porque puffs coloridos não fazem uma cultura

  • Blog
  • 3 de Novembro de 2017
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A Transformação Digital se tornou, recentemente, um objetivo de muitos em todo o Brasil. Ao enxergar a disrupção por todos os lados, sendo realizada por diversas empresas do Vale do Silício, as brasileiras também decidiram se mexer e entenderam que a tal transformação seria o necessário para continuar competitivas no mercado. Entretanto, como em qualquer processo feito de forma reativa, muitas vezes cometemos erros, que podem (e devem) ser transformados em aprendizado. O primeiro deles é o que entendemos como “cultura”… Mas antes de falar sobre isso, dá uma olhada nas fotos abaixo:

        

     

Quando falamos em um processo de transformação digital uma das primeiras coisas que as grandes empresas no Brasil pensam, são em ambientes como os ilustrados acima, ou seja, ter um ambiente que remeta às grandes empresas do Vale do Silício, à agilidade, modernidade, inovação. As empresas começam o processo de transformação digital pintando uma parede de amarelo e colocando puffs coloridos, um erro clássico e muito comum.

As imagens acima são de escritórios do Google e do Facebook pelo mundo. Essas empresas têm como marca a excelência digital e talvez por isso seja mais fácil acreditar que basta copiar seus escritórios para também atingir tal excelência. Entretanto, se o seu objetivo é ser competitivo, você precisa pensar no que está por trás desse ambiente todo bonito e colorido.

Além de ter mesas de sinuca, geladeiras de cerveja e puffs, essas empresas também:

– Usam metodologias ágeis de desenvolvimento;

– Propõem um modelo iterativo e incremental, o que significa que seus primeiros produtos prezam pela excelência técnica, mas com poucas features. A evolução do produto é baseada nos feedbacks recebidos de seus usuários;

– Avaliam suas metas em um processo iterativo e incremental. O Google, por exemplo, utiliza OKR (Objetives and Key Results);

– Têm uma cultura na qual o erro não é punido, mas considerado como aprendizado e utilizado para direcionar o produto.

E é a isso que essas empresas devem sua excelência no mundo digital. Muito mais difícil, não? Pois é, essas características são muito mais relevantes e importantes em um processo de transformação digital, pois a forma de trabalho tem absoluta influência na cultura de uma empresa e, consequentemente, no sucesso delas.

Mas também não é só a forma de trabalho que forma uma cultura. Por exemplo, qual é o direcionamento que a empresa e seus executivos passam para todos os funcionários? Ter uma empresa ágil, que preza por autonomia de seus times mas que ao mesmo tempo tem diretores que são centralizadores é um contrassenso. Os valores devem estar muito claros para os funcionários e alinhados com o posicionamento da empresa. Isso passa por transparência, o que torna ainda mais difícil mudar uma mentalidade centralizadora para uma cultura ágil.

Um grande case de sucesso com relação a cultura é a Disney. Você já ouviu alguém falando mal da Disney? Pois é, por trás desse sucesso todo existem alguns pilares muito fortes que formam a cultura da empresa. São eles: eficiência, experiência fantástica, atendimento personalizado e segurança. E olha só: em primeiro lugar, para espanto de muitos, não vem “atendimento personalizado” nem “experiência fantástica”, mas “segurança”. A Disney é fanática por segurança, pois em um ambiente com tantas crianças muita coisa pode dar errado. Todos os funcionários passam por um extenso treinamento para garantir que nada ocorra diferente do planejado, e caso isso ocorra, ter soluções rápidas.

Quem já foi à Disney pôde reparar que alguns brinquedos têm um limite mínimo de altura. Nesses brinquedos é normal ver crianças que não se adequam, até mesmo por 1cm, não poderem entrar. Quando isso acontece os  atendentes tentam remediar aquela frustração de diversas maneiras, dando uma lembrança ou até mesmo chamando um “Mickey” para foto. E o sentimento, mesmo que pudesse ser negativo, passa uma experiência agradável.

E o que faz os funcionários agirem dessa forma? Cultura! É o modo como os funcionários agem dentro da empresa e que muitas vezes reflete o que são fora dele também, porque eles incorporam esses valores, mesmo que não percebam. A Disney é um exemplo de como uma empresa pode ter sua cultura como um dos principais diferenciais competitivos.

Ou seja, o processo de transformação digital perde muito de sua finalidade quando de fato não consegue se implantar uma cultura ágil. Então, o que fazer? Não existe uma receita de bolo pronta, mas basicamente os valores da empresa têm que estar muito claros para seus funcionários e alinhados com o posicionamento da empresa e de seus líderes. Antes de tudo, é preciso acreditar que realmente a transformação digital vai fazer diferença. E que ela só é possível se você adotar determinados valores, como visão de produto, engenharia robusta e, claro, agilidade.

Só para ficar um pouco mais difícil, precisamos dizer que essa cultura está sempre em transformação, assim como um produto. Ela nunca está pronta e vai se moldando conforme funcionários e clientes entram e saem e novidades aparecem. Por isso, é necessário ter um cuidado constante com a forma que a empresa comunica a cultura e os valores que propõe.

Por fim, o que vai definir se a sua empresa vai ter uma cultura digital não vão ser as paredes coloridas ou os puffs, mas sim uma mensagem clara de qual direção a empresa está tomando, com exemplos no dia a dia de todos que participam dessa cultura.

Ficou alguma dúvida ou tem algo a acrescentar? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!

Quer saber mais sobre a nossa cultura e como nossos times trabalham? Dá uma olhada no nosso Blog!