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Um novo modelo de gestão para o novo ambiente de negócios brasileiro

  • Blog
  • 17 de Novembro de 2017
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Atualmente, já é consenso para o mercado que o ambiente de negócios brasileiros sofreu mudanças dramáticas nos últimos tempos, algumas delas irreversíveis. Esse cenário gera uma necessidade de desaparecimento ou, pelo menos, adaptação de modelos de negócios e empresas que antes eram bem estabelecidos. A combinação entre a crise econômica, uma competição mais eficiente (sem os grilhões do Custo Brasil) e as mudanças no comportamento do consumidor questiona nossa visão de capitalismo e define quem vai perpetuar e crescer.

O problema

O ambiente de negócios atual é caracterizado pelo que chamamos de VUCA (Volatile – Uncertain – Complex – Ambiguous). Afinal, mudanças ocorrem cada vez mais rápido e são muito mais profundas do que eram há pouco tempo, gerando impactos cada vez maiores. Neste cenário, é constante o aumento de participantes com conexão rápida e móvel (instantânea) e rica (conteúdo e interação) com as empresas. Basicamente, as empresas estão usando teorias da administração do século XIX, de Frederick Taylor e Henri Fayol, com estruturas organizacionais e de incentivos do século XX, de Henry Ford e Alfred Sloan, para tentar competir no mundo do século XXI, com tecnologias e clientes do mundo contemporâneo.

No mercado brasileiro, além da volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade as empresas têm que enfrentar também uma grande participação governamental, com regulação e tributação sufocantes, sequestro da poupança por gastos governamentais, juros reais altos, custo Brasil, apagão logístico, pouca produtividade e mais uma série de problemas críticos para a competitividade, principalmente das pequenas e médias empresas. O ambiente de inovação via ciclo de venture capital por aqui é pouco relevante, com poucas saídas, com predominância das grandes.

Todo esse problema, mundial mas que afeta com um pouco mais de profundidade o mercado brasileiro, tem sido atacado com um remédio conhecido: a busca de ganho de eficiência operacional e a recente e famosa “Transformação Digital”. Entretanto, a resolução é mais ampla. Precisamos evoluir o nosso modelo de administração de empresas. Mais do que uma transformação ágil e digital e de novas capacidades, precisamos de um modelo híbrido, que atenda o velho e o novo, que gere eficiência e adaptação associadas a vantagens competitivas reais.

A solução

Aproveitar ou não essas vantagens no momento certo, que é agora, pode ser o que vai definir quem vai ganhar neste cenário. No mercado brasileiro, os vencedores serão as empresas que conseguirem promover uma mudança cultural longa, com comprometimento da liderança, cujo objetivo é chegar a uma organização híbrida, ou seja, uma parte “simples e complicadagerenciada com reducionismo, planejamento centralizado, governança e busca de eficiência operacional  e uma parte adaptável, ágil, com estruturas organizacionais planas, autonomia e propósito. Uma parte “Wall Street”, outra parte “Silicon Valley”.

Claro que o desafio é grande. A estrutura departamental de silos impede a colaboração e não representa corretamente o fluxo de valor que tem que ser otimizado. Existe um falso paradoxo entre governança, adaptabilidade e agilidade, além de paradoxos reais entre economia de escopo e unicidade da relação com o cliente.

Para que a verdadeira transformação aconteça, os times devem ter um propósito relacionado ao fluxo de geração de valor (problema complexo) ou, de forma tangível, relacionado ao produto (visto de forma mais ampla).

Por outro lado, a gestão do desenvolvimento das pessoas e das capacidades é um problema complicado, passível de planejamento e análise prévia para tomada de decisão, que exige esforço linear, ou seja, mais gente, é igual a mais esforço. Então, são duas dimensões de propósito: ser o melhor produto para o cliente e ser a melhor “capability” para a empresa e para o mercado.

Com isso, conseguimos colaboração entre o time e entre a “capacidade”, que chamamos de capítulos (comunidades de prática), mas temos que fomentar a colaboração e coordenação entre esse time de times. Surge aí uma terceira dimensão de propósito, o da empresa, neste caso representado pelo organismo adaptável ou a inteligência coletiva dos times.

OKR e Flash Management

O problema da parte que é “customer facing”, ou de problemas complexos, dentro do resto (corpo interno) da empresa é que para afetar as variáveis de negócio as relações de causalidade não são conhecidas a priori (melhores práticas) e não são estritamente encontradas via análise de dados por especialistas (boas práticas), elas devem ser atacadas com práticas emergentes resultantes de empirismo cético, ou seja, experimentação formal associada à inteligência coletiva (de times multidisciplinares).

Para que esses experimentos possam ser montados com formalismo é necessário um mecanismo de métricas ágeis como OKR, com implantação de cadências e times efêmeros (potencialmente de curta duração). Assim, conseguimos estabelecer ciclos curtos de correlação e causalidade entre variáveis lagging e leading, além de uma hipótese de sensibilidade de peso (qual é a intensidade da causalidade e correlação entre as variáveis).

As métricas ágeis permitem estabelecer ciclos temporais de propósito ou seja:  visão e propósito de longo, de médio (quartil, por exemplo) e de curto prazo neste caso materializado por uma estrutura efêmera de gestão adaptativa formadas pela hipótese de causalidade, pela cadência de medição e pela inteligência coletiva (ou o time multidisciplinar). Esse último nível cria um motor capaz de resolver problemas complexos com o que podemos chamar de “Flash Management”.

Conclusão

O ambiente de negócios mudou, existe a necessidade premente de adaptação. Devido a características do nosso capitalismo, os vencedores serão empresas externas para os quais o fechamento da economia via meios tradicionais (regulatórios e não regulatórios) não funcione ou grandes empresas brasileiras que apliquem uma nova teoria de gestão híbrida, que consiga fazer conviver vantagens competitivas reais com teoria clássica de administração para uma parte da empresa e administração contemporânea (Silicon Valley) para a parte complexa, ou  “customer facing”.

Temos grandes referências locais para o primeiro problema (eficiência e governança), mas poucas para o segundo (adaptabilidade organizacional) e nenhuma ainda (por ser um tema muito novo) para o modelo híbrido. Pela dificuldade de se tratar de uma mudança cultural, este parece ser o problema sobre o qual as lideranças deverão focar para serem parte do novo grupo de empresas que vão prevalecer nesse novo ambiente de negócio.

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