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Tendências 2018: Techlash e o fim de um ciclo

  • Blog
  • 22 de Janeiro de 2018
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Mais um ano acabou, outro começou e, como já é tradição, aqui estamos nós para falar sobre as tendências do mundo digital. Se você quer saber se sou um bom vidente pode dar uma olhada na série de posts que fizemos o ano passado, que começa com este post. Se te convencer, bora para as previsões desse ano!

2018 é um ano engraçado para se fazer previsões e analisar tendências do mercado digital, justamente porque chegamos ao fim de um ciclo de tecnologia que começou lá em 2007, com o advento do iPhone. Estou falando da grande era de smartphones/mobile, que teve entre 2010 e 2017 seu período áureo. Importante dizer aqui que quando falamos “fim” na verdade queremos dizer “estabilização”.

Os smartphones, (ou seja, telefones que estão sempre conectados à internet, que são capazes de executar aplicativos com os mais diversos casos de uso, possuem grande capacidade de processamento, memória e tamanhos de telas de acordo com a expectativa do usuário), já chegaram ao final da curva S. O próximo ciclo já vem sendo construído em cima dessa plataforma e a partir de possibilidades criadas pelo advento e estabelecimento dela.

E por que podemos dizer que chegamos ao fim do ciclo? O primeiro ponto é que uma das principais características desse processo é sentida na diversificação dos investimentos no espaço digital, o mesmo que aconteceu em 2000/2001, depois da bolha pontocom. É muito comum que bastante dinheiro seja investido em coisas que estão à frente do seu tempo ou “pilha acima”, tanto em pesquisa e desenvolvimento quanto em casos de uso e experiência para o cliente, e estamos conseguindo observar esse movimento neste momento.

Uma consequência dessa primeira característica é a procura coletiva de pessoas no mercado pela “Próxima Grande Coisa” (Next Big Things). Conforme os retornos em investimento e crescimento acelerado em smartphone e mobile começam a estabilizar, outros tópicos começam a esquentar nas mesas de discussões sobre tecnologia e investimento: Bitcoin? Blockchain? Machine Learning? AI? Nanotech? Insurtech?

Como podemos ver acima, isso não é novidade, principalmente em mercados movidos por inovações tecnológicas. No entanto, existem algumas incertezas inerentes aos ciclos, e nos próximos posts vou falar um pouco sobre alguns “next big things” e como os investidores e a nova mão de obra vão lidar com essas incertezas em 2018.
Entretanto vale a pena sempre manter em mente esse viés de final de ciclo e o comportamento de investidores ao tentar moldar a “próxima grande coisa”, ao invés de se basear em teses que muitas vezes não aderem à realidade, ou estão muito à frente do nosso tempo.

Techlash, cenário econômico dos EUA e possíveis IPO’s e investimentos

A primeira vez que ouvi o termo “techlash” foi na “The Economist”. O termo se refere a uma tendência para 2018 que diz que o mercado de tecnologia, que nos últimos anos foi visto como a solução para todos os problemas da humanidade, agora passa a ser visto com mais ceticismo pela opinião pública e legisladores. Isso acontece principalmente pelo aumento gradual de notícias sobre casos de abuso, erros e impactos diversos na sociedade. Tudo isso causa um “backlash”, ou uma força contrária à imagem positiva e até vezes “salvadora” das grandes empresas de tecnologia, principalmente as do Vale do Silício.

Como exemplo podemos citar a discussão sobre “fakenews” nas redes sociais, principalmente no Facebook e no Google, que tem mostrado o quanto é possível que essas redes sejam manipuladas para interesses não tão explícitos. Especula-se, por exemplo, que alguns conteúdos são favorecidos em detrimento de outros, e que existem “bolhas de filtro” no feed dos usuários de diversas redes. Ao mesmo tempo, essas discussões mostram como a escala desse tipo de negócio e o modelo de plataforma (no qual os anunciantes interagem por meio de API’s e interfaces com pouca ou nenhuma supervisão/curadoria humana) tornam bem dificil a prevenção e contenção dos possíveis impactos do mal uso desse tipo de ferramenta.

Neste contexto, podemos avaliar que em 2018 veremos fusões e aquisições em tech sendo avaliadas com muito mais escrutínio pelos órgãos reguladores americanos e europeus, com a finalidade de garantir as regras básicas para a livre competição de mercado e evitar a criação de monopólios. Ou seja, movimentos como a aquisição do Instagram e do Whatsapp, feita pelo Facebook, serão observado por uma ótica menos complacente.

Outro exemplo de “techlash” é a estratégia financeira de empresas como Apple, Amazon e Facebook de usarem países como a Irlanda, por exemplo, como “paraísos de impostos”. A opinião pública americana deve começar a se perguntar por que empresas genuinamente americanas encontram subterfúgios financeiros para minimizarem o impacto de impostos pagos nos EUA e quais questões morais estão atreladas a isso.

Mais um “techlash”: as políticas gerais de segurança de dados que estão sendo e serão implantadas na União Europeia ao longo de 2018. Entre muitas coisas, as políticas obrigam as empresas a dar aos usuários o controle sobre seus dados, gerando grandes impactos em indústrias como serviços financeiros (open banking), mídia, redes sociais e anúncios. O grande dilema está na adoção desse tipo de política por outros países e como isso afeta empresas verdadeiramente globais e digitais.

Voltando aos investimentos, e abrangendo para o aspecto econômico mais amplo dos EUA, em 2018 provavelmente continuaremos observando uma política de aumento de juros (ainda que de forma lenta e moderada) feita pelo Banco Central americano. Mas por que isso importa? Com o aumento da taxa de juros, fica muito menos atrativo para os investidores colocarem seu dinheiro em iniciativas muito arriscadas, como é o caso de startups em geral.

Podemos ver uma desaceleração (ainda que também moderada) em investimentos desse tipo e um aumento naqueles com menos riscos atrelados a taxa de juros mais altas. Esse mesmo movimento tende a sugar dinheiro de países emergentes, eventualmente diminuindo também o fluxo de investimentos em países como o Brasil.
Por último, em 2018 veremos mais IPO’s ou mecanismos correlatos, nos quais empresas tentarão retornar aos seus investidores (e fundadores, em muitos casos) os ganhos das jornadas dessas empresas nos últimos 5 a 10 anos. São o caso de AirBnb, Dropbox e Spotify (ainda que sem oferta pública inicial) e algumas outras. Uma empresa que vale a pena ser mencionada em separado é a Uber, que provavelmente iria fazer o seu IPO em 2018, mas foram tantas as brigas e intrigas que a melhor opção se tornou arrumar a casa antes de qualquer movimento desse tipo. De certa forma, o mercado vai aprender cada vez mais a precificar e saber como avaliar o resultado de empresas relativamente peculiares como os novos unicórnios de tecnologia.

Tem alguma dúvida ou observação até aqui? Aproveite os campos abaixo e deixe o seu comentário. Amanhã eu volto para conversarmos um pouco sobre como o mercado de mídia e entretenimento deve se comportar este ano. Até lá!