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Tendências 2018: China e Índia

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  • 24 de Janeiro de 2018
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Chegamos ao terceiro post desta série de tendências 2018 e ao outro lado do mundo. Como as duas grandes potências do mundo oriental vão se orientar em 2018? Se você chegou agora por aqui, pode dar uma olhada nos outros posts da série, nos quais falamos sobre o techlash e o fim do ciclo de smartphones/mobile e sobre o mercado de mídia e entretenimento. Agora bora falar de China e Índia?

Esse ano faz sentido juntar as duas potências em um único grupo por um grande e único motivo: o crescimento esperado da economia da China para 2018 não vai lembrar, nem de longe, os idos dias de crescimento de dois dígitos, e vai ficar abaixo do crescimento da Índia, que deve continuar crescendo entre 2018 e 2019.

Ainda assim, o crescimento da China para 2018 será enorme, principalmente se comparado ao resto do mundo, e o cenário ainda é muito fértil no mercado digital por lá. Em 2018 veremos cada vez mais uma participação do governo em empreendimentos digitais por meio das chamadas SOE (State Owned Enterprise) e os principais alvos para este ano provavelmente serão as 3 grandes do mercado digital chinês: Alibaba, Tencent e Webo. Se isso for adiante é improvável que o percentual adquirido pelo governo chinês seja algo sequer próximo de assumir controle dessas empresas, mas com certeza vai fazer com que tenham que se adaptar ao seu novo “sócio”, para o bem e para o mal.

Um fato importante relacionado a tecnologia e o governo Chinês para 2018 é o lançamento da versão chinesa do Wikipedia. Mais de 300.000 entradas foram escritas por 20.000 trabalhadores para conseguir lançar a plataforma em 2018. Como o Wikipedia faz parte da lista de muitos sites e plataformas que são bloqueadas pelo firewall Chinês, a alternativa (apesar de enviesada) pretende preencher esse flanco.

Por último, também em 2018 vamos ver o lançamento da BeiDou, o sistema de navegação Chinês que rivaliza com o Global Positioning System (GPS), que já dá uma cobertura inicial para mais de 60 países e até 2020 a intenção é ter cobertura global, com mais de 35 satélites. Os aspectos políticos e militares de um avanço como esse são indiscutíveis, mas os aspectos comerciais serão os mais visíveis em 2018.

Chips e produtos compatíveis com o BeiDou já ocupam 20% do mercado de smartphones, assim como carros e motos com suporte para o sistema estão se tornando cada vez mais comuns. Com isso, vamos começar a sentir em 2018 uma posição muito opaca do governo Chinês em relação aos seus serviços e como isso vai afetar usuários globais que começarem a depender desse tipo de sistema para operar seus serviços.

Alibaba

Muitas vezes (erroneamente) referenciada como a Amazon da China, a Alibaba vem apresentando resultados além das expectativas.

Ao longo de 2018 a empresa deve continuar sua expansão para o mundo de “tijolo e cimento” com o lançamento de 20 lojas, as chamadas Hema, por diversos locais na China, movimento já iniciado em 2017. A experiência dentro dessas lojas está reinventando o varejo no mundo físico, permitindo o pagamento direto pelo aplicativo da Alibaba, usando o Alipay.

A expectativa é que eles tomem conta de uma fatia USD 5 trilhões do mercado. A estratégia é muito parecida com a Amazon nos Estados Unidos, e ainda no final de 2017 a empresa comprou 36% da Sun Art Retail, e com ela mais de 450 lojas, o que indica uma clara movimentação para o mundo offline.

A principal ameaça para a Alibaba em 2018 vai ser a JD.com, a segunda no mercado de varejo online na China, que apesar de ter mostrados números abaixo da expectativa em Q3 de 2017 ainda é uma das poucas que consegue rivalizar com a Alibaba no mercado Chinês atualmente.

Tencent

A dona do extremamente popular e exemplo de bundling digital WeChat continua firme e forte na disputa pela dominância no mercado Chinês. Em 2017 a gigante chinesa apresentou forte tendência a superar o Alipay como a principal carteira digital dos chineses.

Enquanto isso, o Wechat continua a mostrar números em uma escala impressionante. Por exemplo: 902 milhões de usuários ativos por dia, 50 milhões de usuários ativos por mês com idade entre 50 e 70 anos, 205 milhões de ligações feitas por dia (106% de crescimento em relação ao mesmo período em 2016) e muitos outros números expressivos. Essa tendência não deve diminuir em 2018.

Vale a pena mencionar que um novo super-app chinês vai aparecer cada vez mais na cena em 2018, o Meituan-Dianping. Atingindo 209 milhões de usuários ativos por mês, a empresa começa a rivalizar com grandes nomes do mercado chinês. O interessante é que parte do seu tráfego é gerado pela Tencent, ou mais especificamente o Wechat – no qual grande parte dos pagamentos são feitos usando o Wechat Pay, por exemplo.

O império de “lifestyle” construído pela empresa entrega valor desde reservas em restaurantes e entradas de cinemas até entrega de comida, e vamos ouvir muito sobre a empresa em 2018. Principalmente por causa da diversificação de seus experimentos, que passam por microempréstimos até caronas e transporte. Hoje, a Tencent está apostando em dez setores diferentes da indústria. Ou algum vai vingar ou o dinheiro vai acabar.

Huawei

Para 2018 podemos esperar um movimento bem agressivo da Huawei em direção aos principais players do mercado de smartphones (Samsung e Apple), mas essa batalha deve ser travada somente nos Estados Unidos. Apesar das negociações com a AT&T não terem se concretizado, é provável que a empresa procure uma alternativa para levar o seu Mate 10 aos Estados Unidos.

A Huawei hoje possui cerca de 180 mil funcionários no mundo todo e mais de 60% do seu faturamento vem de serviços e produtos vendidos fora da China. Em 2017 a empresa tinha aproximadamente 11% do mercado global de smartphones, atrás apenas da Apple (13%) e da Samsung (22%). O faturamento anunciado recentemente foi de USD 92 bilhões em 2017, o menor valor dos últimos 4 anos.

Xiaomi

Daqui deve sair um IPO em 2018, muito provavelmente na bolsa de Hong Kong. Avaliada em USD 46 bilhões no seu último round de investimentos em 2014, os planos para o IPO sempre foram uma constante dentro da Xiaomi e, embora o resultado da empresa tenha sido relativamente questionado, a sua fatia do mercado global de smartphones passou de 3.7% para 7.4% em 2017.

Esse crescimento, no entanto, não é devido ao mercado Chinês, mas ao mercado indiano. Na China, a intensa competição entre Samsung e Apple, além da Huawei e Oppo, estão freando o crescimento que a empresa viu em 2015 e 2016, e a estratégia para 2017 foi abrir lojas físicas, o que se pagou e por isso o movimento pode ser copiado em outras partes do mundo. Por enquanto, aqui no Brasil a gigante não conseguiu quase nada do mercado, e ainda perdeu um dos seus principais executivos que tinha raízes aqui.

Didi Chuxing

De longe, a maior empresa no segmento de transporte e caronas não apenas na China, mas no mundo, a Didi Chuxing provê 29 milhões de corridas por dia, quase o dobro dos 15 milhões de corridas por dia do Uber. No entanto, isso só foi possível com investimentos em outras empresas do mesmo tipo no Oriente Médio, como a Careem; na América Latina, com a 99 (antiga 99Táxis); na Ásia, com Ola na Índia e Grab em Cingapura; e na África, com o Taxify na África do Sul.

A expansão mais provável em 2018 vai ser na América Latina, mais especificamente no México e no Brasil, embora a estratégia ainda esteja um tanto incerta. Por aqui, logo no primeiro dia do ano já foi anunciada a aquisição da 99, o que já era previsto.

Vale lembrar que a empresa ganhou a briga contra a Uber na China, teve um investimento de $ 1 bilhão da Apple e muita abertura com o fundo Softbank, então possui muito fôlego para se sustentar durante algum tempo. A grande questão vai ser a climatização com as diferentes culturas para atingir o potencial de uma empresa verdadeiramente global, e tudo isso vai acontecer sob a concorrência de empresas como a Mobike – ride-sharing de bicicletas que recentemente começou a fazer transporte usando carros e outros meios.

Flipkart

Na linha do crescimento econômico da Índia, era cada vez mais natural que empresas e investidores buscassem retornos nesse país. Após a eleição de um presidente que atacou relativamente a corrupção no país e “acertou” a economia, empresas como a Flipkart prosperam no segmento de varejo online.
A briga dos últimos anos, quando Jeff Bezos anunciou que iria investir $5 bilhões nas iniciativas da Amazon na Índia, assim como a Softbank (e dessa vez junto com a Alibaba) investiram alguns bilhões na Paytm, garantem que a concorrência por lá vai ser intensa em 2018.

No entanto, de acordo com o CEO da Flipkart, a empresa possui market share dominante no mercado e está bem posicionada para acessar os 400 a 450 milhões de usuários online no país. O mercado de varejo online é estimado a atingir USD 64 bilhões em 2021 e vai cada vez mais se tornar foco no mundo digital.

A grande questão no caso da Índia, assim como foi o caso da China há alguns anos, são as suas particularidades culturais e da sua sociedade. 60% do varejo na Índia, por exemplo, é de mantimentos e no entanto, não existe uma cadeia de lojas com escala nacional que seja facilmente identificável. Então, expansões para esse tipo de mercado precisam ser acompanhadas de estratégias diferentes da aplicada pela Amazon com a Wholefoods.

Outra abordagem muito forte da empresa que podemos esperar em 2018 são as suas “private labels”, ou seja, produtos com o label Flipkart, nos quais a empresa controla toda a cadeia de produção ou parte dela e coloca o seu “selo” no final.

Concorda, discorda ou tem algo a acrescentar? Aproveite os campos abaixo e deixe seu comentário! Amanhã eu volto com mais um post da série de Tendências 2018, falando sobre as gigantes Apple, Amazon, Google e Facebook e como elas devem se comportar na briga pelo mercado de tecnologia em 2018. Até amanhã!