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Tendências 2018: As gigantes

  • Blog
  • 25 de Janeiro de 2018
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Dando sequência à nossa série sobre o que esperar de 2018 no mundo digital, hoje vamos conversar sobre as gigantes Amazon, Apple, Facebook e Google. Como elas se saíram em 2017 e quais são os planos para este ano? A gente já vai ver. Antes, se você quiser saber mais sobre tendências, a gente já falou aqui sobre o techlash e o fim do ciclo de smartphones/mobile, aqui sobre o mercado de mídia e entretenimento. E aqui sobre a China e a Índia. Só clicar pra ver =) Vamos começar o post de hoje, então, falando sobre a queridinha de 2017.

Amazon

Não podemos negar que o ano foi da Amazon. A empresa chegou a USD 256 milhões de receita em Q3 do ano passado e continua ostentando a dominância online na Black Friday e Cyber Monday nos EUA. De quebra, seu fundador Jeff Bezos desbancou Bill Gates e assumiu o posto de homem mais rico do mundo também no ano passado. É claro que com esse histórico as previsões são animadoras. A Amazon continua aplicando seus lucros em cada vez mais diversificação em larga escala e suas ações continuam valorizando. Um feito bastante impressionante.

Também em 2017 a empresa adquiriu a Wholefoods, cadeia alimentícia de produtos naturais e saudáveis que possui cerca de 400 lojas físicas espalhadas pelo mundo todo, mas com presença principal nos Estados Unidos.

Além de trazer USD 1.3 bilhão de receita no quartil em que foi anunciada, a aquisição ainda pode ser uma das entradas da Amazon no mundo offline. A tendência para 2018, ditada inclusive por experimentos como a Amazon Book Store, entregas Amazon Fresh e o mercado de varejo chinês, é cada vez mais integração entre lojas on-line e off-line, permitindo que o cliente seja atendido por uma cadeia de lojas mais próximas da última milha de entrega e tenha experiências dentro da loja com a menor quantidade de fricção possível, especialmente nos meios de pagamento.

Outro movimento que deve continuar em 2018 é o contínuo impacto que a Amazon possui em ações de empresas em indústrias e mercados simplesmente pelo fato de anunciar que potencialmente pode entrar nessas indústrias e mercados.

Um exemplo de potenciais alvos para a gigante são os setores de logística e entrega, farmacêutica ou serviços financeiros. Este último, especificamente, tem sido muito especulado, e é provável que em 2018 vejamos um avanço nessa linha, principalmente nas frentes de pagamentos, empréstimos e avaliação de risco para crédito, as duas últimas sendo alavancadas pela quantidade massiva de dados e informação sobre compradores que a Amazon possui. A barreira de entrada pode cair facilmente apenas com uma aquisição uma empresa que já tenha as licenças para operar nesse mercado. Veremos!

Nos últimos anos também vimos um crescimento considerável da Amazon Web Services (AWS), que passou de “side business” para representar 10% do volume de produtos e serviços vendidos pela Amazon. O fato é impressionante e mostra o potencial do, atualmente, melhor e mais completo serviço de computação na nuvem do mundo.

Entretanto, vale lembrar que conforme avançamos em 2018 vamos nos questionar cada vez mais se a AWS é apenas um serviço de computação na nuvem ou se ela tem que ser encarada de uma forma ligeiramente diferente.

Isso porque quando olhamos para a lista de produtos oferecidos pela AWS no final de 2017 podemos observar que a empresa na verdade está englobando muitos outros serviços. Apesar de continuarem dependentes de algum processamento na nuvem, em muitos casos eles fornecem valor em uma camada acima.

Como exemplo podemos citar os produtos de realidade aumentada e virtual, assim como os de analytics e customer engagement, que possuem essa característica. Em 2018, a AWS vai investir pesadamente em Inteligência Artificial e isso, implicitamente, significa investimento pesado em chips especializados para esse tipo de computação, entrando e competindo com empresas como a Qualcomm e a Intel, por exemplo.

Uma segunda análise que tem que ser feita sobre a AWS hoje são os produtos e serviços que se utilizam dela para existir.

A Netflix, por exemplo, depende muito da AWS e conforme a Amazon se diversifica, seus produtos precisarão de uma intersecção com diversos players que dependem dela (por exemplo, a Amazon Prime e seu conteúdo que compete com Netflix). Há uma estimativa de que o Amazon Prime possua hoje 85 milhões de assinantes, embora esse número não seja oficial.

Ao mesmo tempo, em 2016, 2017 e 2018 vimos e veremos um aumento contínuo da atuação da Amazon Studios na produção de conteúdo. Como já falamos algumas vezes aqui no Blog, no modelo de plataforma a relação direta com o consumidor para conseguir levar conteúdo diferenciado e de qualidade é essencial, e é isso que a Amazon está buscando aqui, começando a produzir e/ou distribuir grandes nomes do cinema, como os dois últimos filmes do Woody Allen (Cafe Society e Roda Gigante), por exemplo.

Em 2018 também veremos um movimento muito claro da Amazon em capitalizar cada vez mais seu modelo de propaganda e anúncios. A empresa descobriu esse filão quando percebeu que cada vez mais os hábitos de busca e pesquisa de informações sobre um produto começam por ela e pelo Youtube.

 

Dessa forma, o potencial de rivalizar com produtos estabelecidos como o Google Adwords, inicialmente no tema de pesquisa de produtos para varejo, parece ser uma tendência clara.

2017 também foi o ano do primeiro boom de interfaces conversacionais por texto ou por voz, e a tecnologia chegou a um ponto no qual os produtos deixaram de ser protótipos e brinquedos e conseguiram oferecer uma experiência aos usuários.

A linha Echo aumentou bastante, e embora o foco principal seja o cliente pessoa física e sua casa, veremos em 2018 um aumento de casos de uso em hotéis, permitindo o controle de luzes e outros periféricos do quarto com comando de voz, o que evita aquela situação desconfortável na qual você está procurando o interruptor de luz em um quarto de hotel que nunca entrou antes, por exemplo, apenas dizendo: “Alexa, turn on the lights, please”.

A procura por integração com novos serviços, como a parceria com a NFL e conteúdos esportivos e a integração entre Cortana e Alexa deve continuar em 2018, assim como expansão para outros países e suporte a mais línguas.

Por último, vale a pena dar uma olhada no gráfico com as aquisições feitas pela Amazon nos últimos 20 anos, um reflexo direto da mentalidade de longo prazo de Jeff Bezos e que joga uma luz direta sobre o posicionamento estratégico da empresa para os próximos 5 ou 10 anos. É certo que ainda vamos falar muito da Amazon por aqui.

Google (e Alphabet)

Ao longo de 2017 a Google consolidou um movimento que começou de forma relativamente tímida nos últimos 2 ou 3 anos: sua capacidade de execução em hardware.

Em muito pouco tempo a empresa lançou sem muito alarde uma linha inteira de produtos para o mundo físico, que vai desde smartphones, passando pela disputa pelo posicionamento da sua casa e assistência de voz, laptop, realidade virtual até fones de ouvidos e câmeras.

Em 2018 essa tendência deve continuar, a grande questão é a escala e apetite da gigante para realmente competir nesse cenário. O posicionamento horizontal de algumas de suas ofertas (como sistema operacional mobile ou serviços de anúncios) conflita diretamente com alguns fabricantes e levanta algumas suspeitas.

Empresas como Samsung e Huawei, por exemplo, possuem tanta dependência do sistema operacional da Google para os seus smartphones que a relação entre as empresas fica em uma posição muito curiosa: apesar de entenderem que se a Google decidir ganhar escala com as suas ambições com o Pixel uma parte da receita dos seus aparelhos high-end fica ameaçada, ao mesmo tempo elas dependem do Android para suportar a sua base de usuários.

Outra grande aposta para 2018 é a plataforma de Cloud da Google. Em 2017 a empresa expandiu muito a sua capacidade comercial para atrair novos clientes, assim como expandiu a sua linha de produtos oferecidos.

Apesar da lista abrangente, a grande questão está no quanto esses serviços serão utilizados por clientes em casos reais e em larga escala. Uma vantagem que a Google possui em relação à AWS neste sentido é que em muitos segmentos do mercado a gigante não é vista como uma competição direta, ao passo em que a Amazon é vista com muita suspeita em relação a sua isenção, principalmente em varejo. É provável que em 2018 a empresa continue com a sua estratégia de M&A’s para expandir a sua lista de produtos oferecidos, como foi o caso com a Apigee e Orbitera.

Outra grande aposta para 2018 é Google Pay (formely known as: Android Pay). As implicações de um checkout com pouquissima fricção e a ubiquidade do Google dão um tom diferenciado para uma forma de pagamento útil. A integração mais simples para aumento de receita em aplicativos (in-app) pode ser um caso de uso interessante, apesar de a maioria das contas no Google Play não possuírem um cartão de crédito cadastrado (ao contrário da Apple). Em 2018, vamos observar a estratégia de roll-out desse produto e se o seu intuito é a adoção em larga escala.

A Google também deve continuar enfrentando o techlash, por exemplo com o caso emblemático da multa pela Comissão Europeia contra a Google em setembro de 2017, ou nas audiências que a empresa teve perante o senado americano em outubro de 2017.

A empresa continua sendo uma gigante principalmente do ponto de vista de faturamento, vindo em maior parte da sua rede de anúncios, e suas ações valorizaram seguindo a tendência de outras gigantes de tecnologia. Vamos ver como a Google vai se sair neste ano.

Facebook

2017 foi um ano, digamos, intenso para o Facebook. A empresa continua entregando resultados sólidos para os investidores e se mostra um negócio extremamente rentável, bem gerido e que em última instância atende aproximadamente um terço da população mensalmente em seus produtos…

Entretanto, o Facebook se envolveu e continuará se envolvendo em 2018 em disputas legais e questionamentos morais e éticos em relação à forma como os seus produtos são construídos, o impacto nos usuários, a transparência sobre como os conteúdos e anúncios são direcionados e por quem, além de questões mais mundanas sobre o relacionamento da empresa com impostos e o governo americano.

Por conta disso, provavelmente em 2018 vamos ver diversos ajustes no posicionamento da empresa e em seus algoritmos para sinalizar uma tentativa de atuar nesses problemas. Muito provavelmente esse posicionamento virá em um caráter mais “pessoal”, enaltecendo mais as relações entre você e as pessoas do seu círculo do que simplesmente emergindo conteúdos, movimento esse que precisa se conciliar com a principal fonte de receita do Facebook, que hoje que são anúncios).

Ainda este ano o Facebook deve continuar sua grande movimentação no que envolve vídeos, tanto em relação a anúncios quanto a conteúdos que emergem na sua news feed, bem como e na descoberta de conteúdo em vídeo, competindo mais diretamente com o Youtube, por exemplo.

No entanto, a gigante sabe que o seu futuro depende da constante atualização e compreensão dos hábitos dos seus usuários, principalmente em dois segmentos: os mais novos, com hábitos e códigos de conduta distintos; e os novos entrantes no universo digital, como hábitos de uso comuns em países africanos, que estão tendo cada vez mais acesso à conectividade via smartphones, e nichos culturais que estão adotando e evoluindo esse tipo de tecnologia agora.

O problema em 2018 será manter esse modelo de fusões e aquisições garantindo o seu posicionamento no mercado. Dependendo do caso, algumas dessas fusões podem ser vistas como movimentos que impedem a livre competição do mercado, principalmente nos Estados Unidos e na União Europeia. Uma consequência disso é a colaboração mais ampla com os governos desses dois grupos para aplicação de leis, como a GDPR ou a repatriação de alguns recursos da empresa que estejam fora dos Estados Unidos.

Por último, o Messenger e o Whatsapp devem continuar o movimento na direção de abrir suas API’s para permitirem uma integração maior com os negócios (eventualmente anúncios) gerais da empresa mãe, assim como continuaremos a ver uma comunicação mais visual, com stickers, GIF’s animados, emoji’s, animojis, realidade aumentada e misturada. Nesse último assunto, o Facebook deve continuar com os investimentos no seu Oculus VR e realidade virtual, a aposta da empresa como próximo grande espaço da interação social digital, e aprofundar as suas capacidades em Inteligência Artificial.

Apple

Dentre as quatro gigantes, podemos dizer que a Apple é realmente uma empresa única. Em 2017 rolou finalmente o lançamento do tão esperado iPhone X, que marca o aniversário de 10 anos do lançamento do iPhone, e uma mudança de abordagem na competição por espaço na casa do cliente. A empresa também não foi exceção de ter o nome envolvido em algumas polêmicas relacionadas a impostos e expatriação de lucros dos Estados Unidos, e tudo isso deve influenciar nas tendências para a empresa em 2018.

Começando pela questão de expatriação e repatriação de dinheiro. Ao longo dos anos se tornou cada vez mais lucrativo manter grande parte do dinheiro que a Apple conseguiu em países como a Irlanda, que tinham políticas mais brandas em relação aos impostos cobrados. É provável que em 2018 haja um movimento de repatriar esse dinheiro para os Estados Unidos, o que pode influenciar, pela parte da Apple, em uma algumas poucas (mas estratégicas) fusões e aquisições.

Já aconteceu em 2017 e provavelmente vamos continuar vendo em 2018 a empresa no centro de algumas discussões sobre privacidade, mas no lado positivo da discussão. Afinal, enquanto empresas como Google e Facebook são cada vez mais questionadas sobre a forma como os dados de seus usuários são utilizados e como a privacidade deles é garantida, a Apple é vista como a empresa que mais tenta proteger o seu cliente neste contexto. É claro que essa posição é movimentada pelo modelo de negócios da empresa, que vende hardware em vez de anúncios, mas mesmo assim é um posicionamento muito importante principalmente no momento em que estamos.

Outro assunto polêmico de 2018 é a suposta obsolescência percebida, na qual o processador de iPhone’s mais antigos eram sincronizados para clocks menores, de forma a poupar o uso de bateria. Sobre isso a empresa já se pronunciou e vai permitir que o usuário decida se quer ou não essa funcionalidade habilitada no seu smartphone. De qualquer forma, é uma pequena marca na imagem da empresa.

Falando em números, a Apple chega ao final de 2017 com um aumento de 2% nas vendas de iPhone em comparação ao ano anterior, o que é pouco expressivo se comparado aos resultados anteriores e mostra que claramente a gigante está a procura de uma janela de oportunidade para se alavancar na próxima onda de crescimento.

Não podemos nos esquecer, porém, que a capacidade da Apple em se reinventar é enorme. E as grandes apostas para 2018 são a nova versão do Apple Watch, cada vez mais menos dependente do smartphone, e o HomePod. Começando pelo último, a Apple manteve duas estratégias para competir pelo espaço na casa do cliente: a primeira é a Apple TV, que veio recebendo evoluções incrementais desde o seu lançamento. A segunda é com o HomeKit, com o qual a empresa depende do ecossistema de desenvolvedores e fabricantes de hardware para permitir que o valor seja gerado para clientes de produtos Apple. Embora a segunda seja uma abordagem parecida com a App Store, os processos de homologação e aprovação desses hardwares e o controle forte da empresa sobre esse tipo de integração acabou não permitindo um ecossistema que florescesse.

E aqui entra o HomePod. Seguindo a estratégia de verticalização, a Apple junta alguns componentes que já possuía para lançar em 2018 um produto que tem o potencial de competir com aparelhos como o Echo, da Amazon. Por baixo dessa abordagem está a SiriKit, ou framework similar, que permite a compreensão de comandos de voz associada a uma intenção com processamento local ou na nuvem para traduzi-los em resultados aos pedidos do usuário. Porém, é importante notar que a Apple está chegando de forma relativamente tardia nesse mercado, e embora essa abordagem tenha funcionado em outros segmentos – como o de smartwatch – em 2018 veremos se o molho secreto da Apple é capaz de mover os seus clientes para esse tipo de produto.

Também este ano muito provavelmente veremos o lançamento de uma nova versão do watchOS, dessa vez cortando a compatibilidade com versões mais antigas do relógio e mirando em funcionalidades que permitam cada vez mais um hardware menos dependente de um smartphone. Por último, a empresa vai continuar investindo no seu relacionamento com os desenvolvedores, assim como em avanços em área como machine learning e em versões mais robustas do Swift. Ainda no mesmo barco de serviços, a gigante deve continuar com o seu movimento em relação a estabelecer o Apple Music como um serviço capaz de competir com o Spotify e terá em 2018 o desafio de pivotar a marca ou a unidade de negócios para atender e competir por produção ou distribuição de conteúdo de vídeos, aumentando a probabilidade de uma aquisição nesse mercado em 2018.

Ufa! Ficou alguma dúvida ou tem algo a dizer? Aproveite os campos abaixo! Amanhã eu volto para falar das Next Big Things, ou Machine Learning, carros autônomos e outras coisas legais. Até lá!