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Tendências 2018: The Next Big Things

  • Blog
  • 26 de Janeiro de 2018
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Nesta semana, estamos publicando uma série de posts aqui no Blog sobre as tendências do mundo digital em 2018. Já comentamos sobre o techlash e o fim de um ciclo criado em cima de smartphones e mobile, vimos o que está rolando no mercado de mídia e entretenimento, como está a tecnologia na China e na Índia e como se comportaram e devem se comportar este ano as gigantes Apple, Google, Facebook e Amazon. Só clicar nos links se você perdeu algum =) Hoje o assunto são as “the next big things”, ou o que vem de grande por aí no mercado de Tecnologia.

Como já dissemos, uma das características do fim de um ciclo é a procura coletiva de pessoas no mercado pela “Próxima Grande Coisa” (Next Big Thing) ou por geração de valor “pilha acima”. Ou seja, uma vez que a base (os smartphones, neste caso) tem um caráter estabelecido, começamos a pensar em aplicações práticas e em larga escala para coisas que gerem valor acima dessa base, como inteligência artificial e machine learning (já comuns há algum tempo), blockchain, criptomoedas e bitcoin e carros autônomos/elétricos. Vamos falar um pouco sobre como está este mercado e para onde ele deve seguir este ano? Bora lá!

Inteligência Artificial e Machine Learning

O tema que está mais quente neste final de 2017 e início de 2018 com certeza é Machine Learning e os avanços na área de Inteligência Artificial ou Computacional. Vimos e continuaremos vendo a discrepância entre a capacidade de execução e investimento dos diferentes players, por exemplo o acesso irrestrito a dados que gigantes como a Google/Alphabet possuem e como isso pode dificultar a livre competição. Conquistas como a do AlphaGo serão cada vez mais comuns, e avanços de empresas como a DeepMind estamparão as notícias do dia, anunciando um mundo que será afetado a curto prazo.

O histórico, entretanto, nos mostra o oposto. Há algum tempo já ouvimos falar desses temas, mas as aplicações ainda parecem tímidas. Em 2018, parece que a aplicação de casos de uso será feita em tecnologias mais estabelecidas e produtos que tenham atingido o público em geral. Artigos de expoentes do mercado, como este do Rodney Brooks, pintam um cenário um pouco mais realístico quanto à utilização desse tipo de tecnologia.

Em 2018 a briga pela produção de chips mais potentes e capazes para esse tipo de processamento tomará o centro do palco. Empresas como Amazon, Google, Qualcomm, Microsoft, Nvidia e Apple estão todas apostando em especialização e verticalização em cima de chips produzidos diretamente para este tipo de tarefa. É interessante observar esse movimento, pois o mercado de produção de chips experimentou uma consolidação massiva nos últimos 20 anos, justamente seguindo a estabilização do mercado de PC’s direcionada pela Wintel. Essa dinâmica foi desafiada pela Qualcomm e a era mobile (Apple e iOS, Google/Samsung e Android), o que deu um maior e novo equilíbrio ao mercado.

Outra grande briga é a por talentos nesse tipo de especialidade, o que está empurrando os salários para cima. No entanto, não é apenas a capacidade de conseguir navegar nesse tipo de conhecimento que passa a ser um diferencial, mas conseguir traduzir a capacidade tecnológica em geração de valor para o usuário.

Em 2018 veremos, junto ao “techlash”, as discussões éticas e políticas do uso irrestrito de dados dos usuários e clientes para alimentar, por exemplo, algoritmos de machine learning.

A terceira discussão em 2018 vai rodear as diferentes estratégias para empresas que são movidas pela inteligência artificial: se elas serão verticais em relação à AI (ou seja, usando AI para resolver um ou vários casos de uso dos seus clientes/usuários) ou se elas serão horizontais em relação ao mercado (por exemplo, oferecendo infraestrutura, ferramentas e plataformas que permitam que negócios sejam construídos em cima dela).

Blockchain, criptomoedas e outros bichos…

Em 2017 a  valorização do Bitcoin chegou a patamares históricos, especialmente para uma moeda com tão pouco tempo de vida e uma história de criação um tanto enigmática. Em 2018, apesar da contínua valorização, vamos ver um uso ainda limitado da moeda diretamente para consumidores. Provavelmente teremos iniciativas para acelerar a adoção, mas muita coisa ainda precisa acontecer para o sucesso delas.

Mais importante do que isso, ainda temos outras aplicações mais práticas (e possivelmente mais duradouras) da tecnologia subjacente: o blockchain. A possibilidade de uso em diversos aspectos da indústria está clara, mas 2018 é o ano para que sejamos capazes de aplicar de alguma forma prática esse tipo de tecnologia, sob pena de perder um pouco de momentum.

Enquanto o ecossistema em torno do Blockchain continuará a se desenvolver, especificamente um (o Ethereum) tem potencial para aplicar esse tipo de tecnologia em quase qualquer tipo de conjunto de regras descentralizadas que possam ser processadas e mantidas de forma distribuída, recompensando os seus colaboradores, ou seja, um potencial enorme. Em 2018 veremos as tentativas de achar aplicações práticas para isso.

Sobre a pergunta de alguns milhões de dólares: existe uma bolha formada sobre o Bitcoin? E se houver, ela explodirá em 2018? Prefiro adotar a postura de ser um pessimista no curto prazo, mas um otimista no longo prazo =)

Carros: Elétricos e Autônomos

São três grandes forças que guiam o mercado de carros em 2018. A primeira está relacionada à desaceleração do mercado global de carros de passageiros. O crescimento esperado é de 3%, efeito direto de políticas em países como a Cingapura, onde será necessário diminuir 33% das emissões de gases tóxicos a partir de carros, ou na Venezuela, onde a economia efetivamente paralisou.

A segunda força são os carros elétricos. A Nissan vai lançar em 2018 a nova versão do seu modelo Leaf, dessa vez com uma autonomia maior, que cobre distâncias maiores. Vale lembrar que já existem 300 mil carros desse modelo nas ruas, e além disso, a Tesla pretende lançar 500 mil carros elétricos em 2018. A grande dúvida aqui é se a entrante consegue dar vazão à sua produção a tempo de atender a demanda antes de cair em descrédito com o público e os acionistas.

A terceira força, essa infelizmente a mais longo prazo, são os carros autônomos. Continuaremos a ver avanços nesse segmento em 2018, no entanto nada próximo de adoção em larga escala. Isso porque os produtores ainda lutam para entender se é mais fácil para uma empresa de tecnologia aprender a fazer carros ou se fabricantes de carros conseguem aprender os caminhos do desenvolvimento de software. A solução deve estar no meio do caminho, com grandes parcerias entre diversas iniciativas privadas e o governo em cidades/estados/países mais abertos a esse tipo de experimentação, o que pavimentaria o caminho para uma solução de longo prazo. Vale lembrar que políticas como a GDPR na União Europeia vão tornar mais difícil (ou mais arriscado) o uso de dados produzidos por pessoas dirigindo carros para treinar os seus algoritmos devidamente, o que pode atrasar, ainda mais, a adoção em larga escala desse tipo de tecnologia.

Realidade aumentada, misturada e virtual

Apple, Google e Facebook são as principais empresas que devem fomentar a adoção cada vez mais acelerada de aplicações de realidades aumentadas, misturadas ou virtuais em 2018, cada uma do seu jeito.

A Apple está apostando no poder do seu ecossistema de desenvolvedores para catalisar as aplicações do ARKit e fez consideráveis avanços tanto em hardware quanto em software ao longo de 2017 para criar a fundação necessária para esses avanços. Apps como “Pokemon Go”, Ink Hunter (que permite que você “teste” tatuagens em você), inovações de realidade aumentada dentro do Snap ou Instagram estão entre os principais casos de uso para 2018.

A Google não fica atrás, e possui duas grandes frentes: a primeira é o ARCore, que também se alavanca em cima do ecossistema de desenvolvedores para permitir experiências de realidade aumentada para o Android, mas tem um fator limitante que é a alta dependência de um hardware (smartphone) de qualidade para permitir uma experiência minimamente prazerosa e consistente para o usuário. E esse controle a Google não tem, pelo menos não em todo o ecossistema de aparelhos atendido pelo Android.

A segunda frente é o Day Dream, que pode vir em dois tamanhos: Smartphone VR, usando o seu próprio smartphone para prover a experiência de realidade virtual, ou o “standalone VR”, que tem o seu aparelho próprio para a experiência virtual. Em 2018 veremos a adoção cada vez maior do ARCore, porém o Day Dream ainda vai depender de muito investimento por parte dos desenvolvedores e fabricantes para chegar a ser uma competição real para o nosso terceiro grande player desse mercado, olhando pelo ponto de vista das grandes de tecnologia.

Com a Oculus Rift, que em 2017 enfrentou algumas batalhas legais, o Facebook chega ao final do ano surfando em um aumento (pequeno, mas ainda sim um aumento) nas vendas desse tipo de dispositivo. Segundo algumas pesquisas, a Sony entregou 490 mil unidades do Playstation VR, enquanto a Oculus Rift vendeu 210 mil, seguida pela HTC com o Vive e 160 mil unidades. Vale lembrar que o aumento se dá principalmente pela diminuição do preço de venda. Esse ajuste de preço, a entrada de novos players (principalmente adotando a plataforma da Microsoft de realidade misturada) e a criação de casos de uso mais abrangentes vai permitir que essa tecnologia ganhe força em 2018.

Por último, este ano devemos ter o tão aguardado lançamento do Magic Leap One. A expectativa e o dinheiro investido são muito altos. Em primeiro lugar (se a data de lançamento for cumprida) a empresa vai passar pelo teste da opinião pública, e se o resultado for conforme propagandeado, esses aparelhos provavelmente tomarão o centro das nossas conversas em 2018. Em segundo, vamos ver como eles vão trabalhar o modelo de ecossistema de desenvolvedores em torno da plataforma para permitir que a criatividade coletiva seja alavancada, assim como foi com a App Store alguns anos atrás.

Interfaces conversacionais por voz e a disputa pela sua casa

Em 2018 veremos uma briga bastante interessante entre Amazon, Google e Apple por um novo aspecto da sua casa. Enquanto entre 2014 e 2016 a disputa por espaço na casa estava em cima da televisão (Smart TV’s, Apple TV’s, Chrome Cast’s e outros aparelhos do tipo, atualmente a Amazon acabou mudando o foco para outro espaço dentro da casa com o anúncio do Amazon Echo e a Alexa.

Desde então os aparelhos controlados por voz alimentados por assistentes inteligentes capazes de interagir de forma bastante natural a comandos ditados pelos seus donos se tornaram bastante populares. Em 2016 rumores de que a Google estaria desenvolvendo um produto para competir com a Alexa + Echo começaram a aparecer, e pouco tempo depois o Google Home foi lançado alavancando dois aspectos fortes da empresa: inteligência computacional e processamento na nuvem.

A última a entrar na disputa foi a Apple, anunciando em junho de 2017 que lançaria o HomePod. E embora a entrega desses aparelhos ao mercado só acontecerá em 2018, a empresa vem tentando evoluir as suas capacidades de processamento de voz e inteligência computacional de forma significativa. Veremos em 2018 se a Apple vai ser capaz de competir com os “first movers” (especialmente a Amazon) nessa linha de produto ou ainda se irá trazer alguma inovação para esse segmento.

Outra tendência para ficarmos atentos em 2018 é a relacionada com os investimentos e avanços recentes em chips. Empresas como a Qualcomm continuarão evoluindo na produção de chips mais potentes que poderão permitir uma menor dependência da nuvem para processamento dos comandos de voz e respostas para o usuáriom, e por consequência aparelhos com aplicações mais específicas e menos generalistas. 2018 vai ser o ano em que chips mais potentes permitirão “Embedded AI” em diversos outros dispositivos.

E você, o que acha? Tem alguma dúvida ou algo a dizer? Aproveite os campos abaixo! Logo eu volto com o último post da nossa série, que vai mostrar como o Brasil deve se comportar no mercado de tecnologia em 2018. Até lá!