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Tendências 2018: Brasil

  • Blog
  • 29 de Janeiro de 2018

Chegamos ao último post da nossa série e, finalmente, vamos falar especificamente sobre o Brasil. Se você não acompanhou, até agora já falamos sobre o fim do ciclo de mobile/smartphones e o techlash, sobre o mercado de mídia e entretenimento, sobre China e Índia, as gigantes Amazon, Apple, Google e Facebook e, por fim, sobre “as próximas grandes coisas”, ou o que deve bombar em 2018 no mercado de tecnologia. Só clicar nos links pra ver 😉 Vamos agora conversar sobre o que deve rolar por aqui?

Bom, para começar é importante dizer que o Brasil terminou 2017 com mais de 63% dos domicílios conectados à internet e, desses, mais de 95% possuem pelo menos um celular que permite se conectar à rede.

O aumento e a melhoria da cobertura e da qualidade de 4G, a variedade de smartphones disponíveis em diferentes faixas de preço e a quantidade de novos serviços sendo disponibilizados nesse ecossistema estão permitindo que o Brasil se torne um dos países mais conectados do mundo.

Cenário Econômico, IPO’s e Transformação Digital

Com os juros em queda e a inflação baixa e controlada, deveríamos ver em 2018 um estímulo para o aquecimento da economia brasileira. No entanto, toda a volatilidade e incerteza virão do cenário político e das eleições de 2018. A indefinição sobre os candidatos à presidência e, mais do que isso, quem ganhará as eleições, assim como os questionamentos sobre suas agendas econômicas, farão com que esse ano seja bastante curioso.

Apesar disso, no mundo digital há a esperança de que apareçam alguns unicórnios criados no Brasil. Empresas que já fizeram o seu IPO, como Netshoes; empresas que estão caminhando nessa direção, como PagSeguro, Movile e Stone; e empresas do porte da 99Taxi (nosso primeiro!) são cada vez mais estratégicas para os gigantes do mundo digital e mostram que o Brasil consegue, sim, criar unicórnios, o que é uma ótima notícia.

No âmbito de transformação digital, a busca por digitalizar as experiências que o usuário possui ou de digitalizar processos da empresa continuará sendo pauta estratégica para quase todas os competidores por aqui. Olha só o exemplo do Itaú:

O verdadeiro desafio, porém, está em conseguir compreender e viabilizar novos e melhores modelos de negócio alavancados no digital, uma verdadeira mudança cultural.

Um território bastante fértil tem sido cultivado pelas chamadas fintechs, seja em pagamentos (talvez a zona mais populosa) ou em seguros (com a Youse, por exemplo). Empresas tentando se posicionar em diversos pontos da pilha para conseguir extrair mais valor é a norma, o que influencia os legisladores brasileiros a se adaptar a esse novo jeito.

 

Em 2018, a briga pelo mercado de pagamento deve ficar muito acirrada, desde as grandes como Apple e Google com seus produtos, até as empresas que dominam nativamente esse mercado, passando pelas startups que ainda estão tentando se posicionar.

Eleições 2018 e o digital

O Brasil, assim como muitos outros países, está passando por um momento de polarização da sociedade, de certa forma alimentada pelas redes sociais, palco de acaloradas discussões sobre posicionamentos, ideias e crenças no mundo político.

Hoje, as “bolhas de filtro” das redes sociais reforçam o conteúdo que gerou mais engajamento para aquele usuário e suprime o conteúdo que gerou menos engajamento, e provavelmente é essa estratégia que deixa os lados mais acalorados nas discussões. As eleições em 2018 são uma excelente oportunidade para que essas discussões aumentem, e muito provavelmente o digital vai ser protagonista na briga por votos e, por que não, na escolha do novo presidente.

 

Pode ser que testemunharemos episódios parecidos com os que aconteceram durante o Brexit, no Reino Unido, ou nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, em uma escala muito menos conflituosa, mas ainda sim o suficiente para trazer esse tipo de discussão à tona. Vale lembrar que quando falamos de redes sociais aqui no Brasil é importante considerar a penetração do Whatsapp e as possibilidades que a plataforma permite. Não se surpreenda se em 2018 você receber uma mensagem no app com alguma propaganda política.

Empresas como Cambridge Analytica verão em 2018 o Brasil como um território fértil para as suas campanhas “data-driven”, e suas consequências ainda não tão compreendidas estarão no centro, ou melhor, nos bastidores das próximas eleições.

Outro tema relacionado às eleições de 2018 e o mercado de tec são os avanços que o próprio TSE está trazendo: o Título de Eleitor Digital, que mostra uma clara estratégia de transformação digital no governo reduzindo custos através de um canal digital (esperamos que funcione); o uso de biometria e a urna eletrônica. Essas inovações fazem do Brasil um dos países mais avançados na área. Os aspectos positivos são a conectividade, transparência, redução de custos e um passo em direção à modernidade. Por outro lado, temos as possíveis fraudes e ataques, apesar da maturidade que esses sistemas possuem hoje.

Surfando nas ondas das eleições também teremos startups, ferramentas e plataformas relacionadas ao contexto político conseguindo atingir uma grande parcela dos brasileiros até outubro. O espectro vai ser amplo, desde produtos orientados à transparência política, conscientização e anti-corrupção e até inflamação política. Sem dúvida será um ano em que um dos países mais conectados e menos educados do mundo terá na palma das mãos uma ferramenta muito poderosa e até certo ponto com consequências pouco compreendidas.

Varejo online e offline

Apesar do cenário econômico de 2015 e 2016 e a recuperação em 2017, os grandes varejistas brasileiros investiram em suas plataformas de e-commerce, capitalizando principalmente em mobile commerce.

Resultado do 3º trimestre de 2017 do e-commerce da Magazine Luiza, que compõe hoje 30% das vendas totais da empresa.

Empresas como Magazine Luiza, Walmart.com e suas abordagens de marketplace, assim como a capilaridade de gigantes como Carrefour e Via Varejo vão permitir que vejamos em 2018 a abordagem de convergência entre online e offline, tendência que já vem sendo observada em outros países. Os desafios de logística, unificação de estoque e a qualidade geral da experiência de compra serão o grande fator de diferenciação para o campeão nessa indústria este ano.

Uber, 99 e transporte

 

 

Já falamos aqui sobre o ano complicado que a Uber teve em 2017, e falamos também do posicionamento da Didi e o aumento da sua participação na 99taxis, em um movimento claro para acelerar sua entrada na América Latina.

No entanto, o aspecto mais importante em 2018 são os posicionamentos dos legislativos em relação a essa categoria, o que pode acarretar em custos operacionais maiores para empresas como Uber e aumentar a competitividade de empresas que oferecem corridas de táxis. Salvo casos pontuais, a legislação vai estar do lado dos avanços tecnológicos e necessidades do usuário, e deve favorecer e permitir o uso geral desses aplicativos, mas tentando regulamentar alguns aspectos trabalhistas que circulam em uma área um tanto cinza.

E assim chegamos ao fim da série de posts sobre o que deve rolar esse ano no mercado de tecnologia! Gostou, não gostou, tem alguma coisa a dizer sobre ou acha que esqueci de falar sobre algo? Deixe abaixo o seu comentário. Em 2019 a gente volta pra ver se acertamos ou erramos e o que virá! Combinado? Até a próxima!