Concrete Logo
Hamburger button

Designers e feedbacks

  • Blog
  • 16 de Março de 2018

Ouvir ideias e posicionamentos de outras pessoas no processo de desenvolvimento de um produto é parte fundamental em um projeto de design. Excelentes ideias, questionamentos e sugestões podem ser levantadas para análise. Pensando assim, até parece que pedir e receber feedbacks são ações rotineiras e fáceis de serem implementadas no dia a dia de muitos designers.

Apesar da grande disseminação de metodologias de processo, como Design Thinking, Agile e Lean, momentos abertos para feedback em um time de design não são praticados da melhor maneira, afim de recolher e filtrar os melhores comentários, melhorias e respeitar o trabalhos dos coleguinhas. Essas práticas podem não ser implementadas por inúmeras razões: deadlines curtas, workflow, desconhecimento, ego…

Com esse artigo, pretendo listar poderosas práticas para uma sessão de Design Review ou, simplesmente, como recolher o feedback que você precisa para melhorar (ainda mais!) o seu árduo trabalho. Assim, todo mundo, inclusive os stakeholders, saem felizes. No final, também listo os artigos que utilizei como base para a elaboração dessa lista.

Antes de tudo, ninguém é ninguém.

Em um ambiente de trabalho todos prezam (ou deveriam prezar) por um espaço amigável e respeitoso. Esse é o comportamento esperado por todos os seus colegas de trabalho (em toda a empresa). Porém, expor uma opinião que diverge de um posicionamento pode causar medo de um comentário soar pessoal ou emocional demais.

Em uma palestra sobre Braintrust de 2013, Ed Catmull, atual presidente da Pixar e do Walt Disney Studios, defende que para recolher bons feedbacks é necessário compreender que, naquele momento, não existe autoridade. Ninguém, e absolutamente ninguém, pode dizer o que um tem ou não tem que fazer.

Tendo isso em mente, você impede que pessoas tenham vergonha de expor sua opnião ou até mesmo de magoar a pessoa ou time que está recebendo o feedback. Assim, até outros colaboradores (não designers) do time podem se sentir abertos a propor feedbacks e questionamentos.

Contexto sempre em primeiro lugar.

Comece explicando o problema que seu trabalho está tentando solucionar, quais os principais objetivos e as prioridades do projeto. Assim, você garante que todos vão estar na mesma página que você, evitando explicações futuras e desnecessárias.

Evite mostrar um entregável/tela/trabalho nessa etapa. O seu principal objetivo aqui é que todos entendam o contexto do seu problema antes de questionar algo.

Algumas perguntas que podem te ajudar nesse processo:

Isso aparenta ser um problema real?

Essa afirmação é confusa?

Existe alguma problema que esquecemos?

Nós concordamos que isso é um problema a ser resolvido?

Saiba qual tipo de feedback você precisa.

Antes de apresentar sua ideia para uma pessoa ou um time em uma Design Review, você deve especificar que tipo de feedback você espera receber e em que pontos novas ideias e questionamentos são válidos. Também é importante saber qual tipo de feedback você NÃO quer, evitando assim perda de tempo de ambas as partes.

Essa mentalidade também nos ajuda a focar nos entregáveis e não nos designers e/ou indivíduos envolvidos no projeto. Assim, as pessoas com certeza estarão mais abertas a levantar questionamentos e a propor boas ideas.

Não aponte, questione.

Enquanto ouvinte, evite apontar as falhas ou erros que saltam aos seus olhos. Porém, transforme suas afirmações em perguntas. Assim, você dá espaço e liberdade para quem está recebendo o feedback entender seu ponto sem mesmo você afirmar algo.

Essa é uma excelente maneira de você respeitar o conhecimento do seu colega ou time sem deixar de se posicionar perante um incomodo. Dessa maneira, fica mais fácil para o ouvinte saber diferenciar o que é um feedback construtivo de uma crítica ruim antes de abrir a boca.

Outro fator importante: CONTEXTO. Questione os pontos observados tendo em mente e lembrando sempre do contexto que aquele projeto está inserido. Com isso, novamente, focamos em questionar o projeto, e não o indivíduo. Se a conversa sair um pouco do contexto, crie cenários. Eles devem ajudar a focar no que realmente importa.

Ouça e escreva mais. Fale menos.

Enquanto seus colegas questionam pontos sobre o seu trabalho, registre tudo. A dica de sempre é ter caneta e papel por perto e registrar todos os pontos levantados. Nesse momento, foque em ouvir as dúvidas e anseios dos ouvintes sobre o seu projeto. Fale menos. Aqui a gente aplica aquela teoria que temos dois ouvidos e uma boca por uma razão: ouvir mais. Com isso, também mostramos aos ouvintes o real valor, admiração e reconhecimento pelo feedback e levantamentos observados.

Utilizar ferramentas digitais como comentários no Invision, Google Docs, Post do Slack/Dropbox etc, são super bem-vindos! Utilize a melhor forma de acordo com o seu processo de trabalho para registrar tudo. Não perca nada. Isso também te ajuda a se preparar para futuros questionamentos que alguém do seu time ou até mesmo um cliente pode ter a respeito do seu trabalho. Assim, você vai ter todos os fundamentos para defender que sua proposta é a mais adequada, além de solucionar problemas levantados.

“Pergunte para ouvir e não para falar” (Daniel Furtado)

E lembre-se: projetos estão SEMPRE em constante evolução. Um projeto nunca está completo, mesmo depois de ser aprovado pelos stakeholders e pelos usuários. Não esqueça que design é um processo infinito, de refinamento e melhorias. 😉

❤ Um agradecimento especial ao pessoal do UX/UI Team no Slack. ❤

Fontes:

Se você também gosta de compartilhar conhecimento e quer fazer parte do nosso time, envie seu currículo para este email. Mas se você precisa de ajuda para montar sua estratégia e quer saber mais sobre nossos times e produtos, entre em contato.