Concrete Logo
Hamburger button

5 dúvidas e respostas sobre SCRUM

  • Blog
  • 23 de Março de 2018
Share

Sabe o que acontece quando juntamos um grupo de pessoas inquietas, criativas e que adoram abraçar a mudança? Bom, aqui na Concrete no mínimo um monte de ideias. Dentre algumas para integrar os diferentes profissionais dos diferentes escritórios (hoje temos sedes em Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo), surgiu a proposta de escrever um post colaborativo, remoto, escrito simultaneamente por três pessoas.

Para isso, reunimos os interessados em escrever o post e construímos um backlog de perguntas que ocorrem frequentemente durante a execução de projetos. Depois do timebox estipulado de dois dias, promovemos uma votação das cinco perguntas mais interessantes para que os autores escolhidos respondessem. Cada um teve de responder de forma separada, sem influenciar o outro, para podermos expor os diferentes pontos de vista (que, no final, nem foram tão diferentes assim.

Bora ver o resultado?

1. Posso não fazer a daily?

Resposta unânime: não, não pode! De acordo com Daniel Vilasboas (SP), o ideal é fazer sempre. Se o time está alinhado, se conversa bastante, está todo no mesmo lugar e todos estão com as tarefas sem impedimentos, talvez possamos abrir uma exceção. O que varia, então, é o alinhamento e a maturidade do time: se o time é novo, ou tem qualquer membro novo, é uma boa fazer, se alguém sente falta desse alinhamento também, se o cliente sente falta de alinhar as tarefas também. Na dúvida, melhor fazer.

Para Vicente Bezerra (Recife), a daily Scrum é uma das principais ferramentas para o autogerenciamento do time, e é importante que fique transparente para todos que a não realização da daily deve ser tratada como um caso de exceção, que fere o framework Scrum, mesmo que em determinado momento faça sentido para o time. Se a não participação de membros ou a não realização da cerimônia for algo frequente temos um anti-padrão no uso do SCRUM. O Scrum Master pode atuar na observação deste fenômeno e ajudar o time na identificação das causas-raiz que estejam provocando esta falta de engajamento. Dayane Andrade (RJ) ressalta que a falta de daily pode causar muitos problemas de comunicação, falta de alinhamento e até retrabalho em alguns casos.

Melhor não ficar sem, né?

2. Usar Scrum é ser ágil?

Mais uma vez, um sonoro “não!”. Daniel explica que o erro de associar o uso do Scrum a ser ágil é comum, por ser talvez a metodologia mais usada nas transformações ágeis. Entretanto, para ser ágil precisamos de muito mais que uma metodologia, precisamos mudar um mindset. Vicente destaca que o Scrum sozinho não é capaz de garantir o sucesso dos projeto e nem a transformação de pessoas ou organização. Para ele, ser ágil requer uma mudança cultural muito profunda: é abraçar mudança, respirar e acreditar nos princípios e valores defendidos no manifesto ágil. A escolha das melhores ferramentas e frameworks para um determinado contexto que o time é inserido deve vir depois da mudança cultural.

Dayane, por sua vez, faz uma analogia entre Why, How e What: o manifesto ágil é o Why, e o Scrum é o What. O How fica a cargo da criatividade e inovação das pessoas que estão ajudando a implementar. “O Scrum lhe dá a ferramenta para construir a roda, ele não mostra como a roda deve ser construída”. Entendido?

3. Para que serve a Retrospectiva? Preciso ter um Plano de Ação?

Daniel explica que a retrospectiva é um momento de acertar os pontos que foram ruins na sprint, relacionados aos processos ou às pessoas. É um momento de franqueza, no qual o time pode falar sobre os problemas de forma aberta e pensar em como melhorar para que eles não aconteçam novamente. E o Plano de Ação serve justamente para garantir que os problemas não voltem. Se o que foi levantado já foi resolvido na conversa da retrospectiva, tudo bem não ter plano. Agora se for algo que envolva mais pessoas, ou que precisa ser observado, é bom ter um plano de ação.

Para Vicente, a “retro” é a principal oportunidade para o time SCRUM inspecionar a ele mesmo e os processos executados durante a última Sprint, e o Plano, além de garantir que problemas passados não voltem, melhora a visibilidade das ações e das suas respectivas prioridades. Já Dayane acrescenta que a Retrospectiva é um dos principais momentos do Scrum para garantirmos a melhoria contínua dos processos, pois revemos comportamentos, relações, acontecimentos e práticas da Sprint.

4. SM pode assumir papel de PO ao mesmo tempo?

Mais uma unanimidade aqui: não é uma boa ideia. Daniel destaca que o problema mais comum que isso pode causar é o conflito de interesses. Em uma visão simplista, o SM deve ter um papel mais voltado para o time e o PO mais para negócio. Se os dois forem a mesma pessoa não teremos tendências e conflitos saudáveis que estes papéis devem ter. Para Vicente, a ocupação dos dois papeis pela mesma pessoa resulta na perda da sintonia entre os três papéis prescritos no SCRUM (PO, SM e time de desenvolvimento). Além disso, corremos um risco altíssimo de sobrecarga de trabalho, devido à grande quantidade de atribuições e responsabilidades que ambos os papéis possuem.

Dayane lembra que na teoria não tem nenhuma regra que impeça a acumulação dos papéis. Entretanto, como eles não são complementares, em algum momento os desejos e necessidades se tornam conflitantes. Ela usa um exemplo: vamos assumir que o cliente está muito irritado pois o time não está entregando nenhum software e comunica que vai cancelar o projeto. O SM precisa ter um papel neutro para poder intermediar a relação e os conflitos que ocorrem dentro do time, ao passo que o PO está representando os interesses do cliente. Nesse cenário, fica inviável assumir os dois papéis ao mesmo tempo.

5. Por que ter um objetivo para a Sprint?

Daniel defende que é necessário para que o ciclo tenha um foco principal, algo a se entregar primeiro, algo que, se o resto falhar, seja entregue. Vicente enumera três (principais) motivos: dar contexto e visão global da meta; aumentar o senso de pertencer do Time Scrum, pois há alinhamento do objetivo em conjunto e todos assumem o compromisso; e, por fim, o foco se volta para a entrega do incremento pronto e potencialmente entregável, e não apenas para atividades isoladas criadas para a Sprint.

Por fim, Dayane destaca que com o objetivo do time conseguimos dar um propósito, uma visão e uma importância do porquê estão construindo software naquele momento, do valor que será entregue. E isso aumenta a chance do prioritário ser entregue antes.

E aí, ainda tem alguma dúvida que não foi respondida nessa lista? Pode deixar nos comentários que a gente volta para responder =) Também vale feedbacks e considerações sobre as respostas dos nossos Scrum Masters. Até a próxima!

Quer trabalhar em um time ágil de verdade? Clique aqui.