Concrete Logo
Hamburger button

UX: Se organizar direitinho, todo mundo joga

  • Blog
  • 22 de Junho de 2018

Se User Experience fosse um jogo de futebol, o Designer seria o capitão do jogo.

Foto: BRUNO KELLY/ALLSPORTS

Meu pai sempre implorou por uma filha atleta, mesmo sabendo que eu sou 300% de humanas na questão de aptidões físicas (danço, canto, faço teatro, etc, mas por favor não me peça pra mirar a bola). Mas para agradar o meu herói, na quarta série eu decidi me inscrever no futebol semanal oferecido pela escola. A proposta do programa era ensinar os alunos a trabalhar em equipe, promovendo também o aprendizado de futebol; mas é claro que acabava como vitrine para os estrelinhas “jogarem bonito”. No final da temporada, além dos troféus de ouro como prêmios aos jogadores com maior aptidão e desempenho, troféus plásticos de participação também eram entregues aos demais. Pela tristeza do meu pai, você já imagina qual desses eu ganhei né?

Sei pouco de futebol, mas sei que, seja na rua com os pés descalços em peladas descontraídas ou em clubes nomeados com as mais caras chuteiras, sempre existem os “craques” – aqueles que dominam a arte do jogo, em quem o time deposita suas esperanças para garantir a vitória. Em muitas partidas, muito é exigido e esperado dessas estrelas, que às vezes se tornam fominhas de bola, centralizando a posse e as decisões. Alô, Neymar?

 

18 anos depois das minhas tentativas futebolísticas, estou fazendo parte de outro tipo de time – um time de desenvolvimento de produtos digitais. São oito anos “jogando bonito” como Designer de Produto e trabalhando com Experiência de Usuário. Só que dessa vez quem acaba sendo fominha sou eu. E nesse jogo percebo que outros designers também têm dominado a posse dessa bola, querendo fazer o gol, mas deixando de lado os demais jogadores brilhantes que fazem parte do seu time.

Como as equipes trabalham hoje

O cliente contrata uma empresa para solucionar um problema ou executar uma demanda. Um Gerente de Projetos ou Product Owner estabelece uma lista de prioridades, os DevOps preparam os ambientes, os Designers desenham e planejam as telas e passam pros Desenvolvedores executarem as ideias, os QAs executam os testes… e o cliente só naquela ansiedade de sempre.

Se formos bater a real, cada vertente se motiva no foco da sua especialidade, e todo mundo acaba dormindo em paz achando que UX é um designer que faz telas agradáveis e pensa na fluidez do processo para o usuário.

“Poxa, Fulano, essa questão é complicada, e tem que ser alinhada direitinho com a Priscilla, a ‘nossa UX’ do projeto”.

“Pri, você já fez o UX/UI da próxima sprint?” (Em outro post a gente conversa sobre esse pepino).

O Time ainda não entende o que é UX

64% de todo o software criado no mundo não é usado. Produtos, projetos, serviços e iniciativas que aparentam ser lindos e bem pensados – mas que não proporcionam boas experiências ou resolvem reais problemas – são prova de que os times ainda não entendem o que é User Experience, tampouco a importância dela. É como aquele time de futebol que tem um ataque pífio, uma defesa ausente, e quando toma gol diz que foi por causa do goleiro.

Rodei uma pesquisa informal recentemente em um grupo de Desenvolvedores de diversas disciplinas para entender a percepção deles sobre User Experience. 68% das respostas diziam que entendem o que significava, e saberiam definir.

Algumas das repostas:

“Uma interface bonita e fluida para o usuário”
“Usabilidade intuitiva do sistema por parte de qualquer usuário que o use”
“A ciência de guiar um usuário para interagir com software de forma orgânica e otimizada”
“O assunto relacionado a como o usuário interage com a aplicação, fácil de usar, intuito, engajamento, objetivo da interação”
“Ajudar com que o usuário atinja seu objetivo.”
“Um profissional capaz de entender e solucionar as ‘dores’ de um usuário em suas funcionalidades, modularizações de um front-end, deixando-o mais amigável e intuitivo.”

E o meu favorito:

“O Designer hipster metido na minha equipe, que não fica quieto até melhorar o fluxo de uso do produto na visão do usuário”

 Entendo que falta mais detalhe e um conhecimento mais sofisticado a respeito do assunto, mas está claro que nossos colegas entendem SIM em grande parte o que é User Experience.

Infelizmente, 32% dos meus colegas dizem não entender por geral ou por completo o que era a disciplina. Esse número pra mim ainda está alto demais, especialmente porquê:

Uma vez perguntado de quem era o trabalho de User Experience:

  • 89% acreditam ser responsabilidade do Designer;
  • 9% acreditam ser do PO com o Designer;
  • 2% acreditam ser responsabilidade do time todo.

Pretendo não parar de escrever esses meus posts malucos até que esses números estejam melhores distribuídos.

Fala aí o que é UX, então!

Nesta redação, a minha defesa não é a definição de UX. A minha defesa nem é como as coisas devem ser feitas. O meu motivo é deixar claro que User Experience começa muito antes e vai muito além da interface liderada pelo Designer – logo, também é trabalho de todas as vertentes do desenvolvimento, dos PO/PM/GPs, e ATÉ do comercial. (Falei mesmo!)

O Papa de Usabilidade, Nielsen, mesmo diz:

“Experiência do usuário” engloba todos os aspectos da interação do usuário final com a empresa, seus serviços e seus produtos. (Veja aqui.)

Photo by Tim Marshall on Unsplash

Leu direitinho? T-O-D-O-S os aspectos. Uma boa experiência de usuário atende às necessidades do cliente, sem problemas ou incômodos.

Imagine que você tem um app lindo, fácil de entender, faz o que você precisa… mas quando você aperta um botão, a tela fica carregando para todo o sempre e você pode passar um café, botar uma série no Netflix, ou até pegar um cineminha antes de continuar usando. Não rola, né?

Para obter uma experiência de usuário de alta qualidade deve haver uma fusão em plena sintonia nos serviços de várias disciplinas, incluindo engenharia, marketing, visão de negócio, estratégia de produto, visual design, e um código que concretize resultados.

Interações não são apenas as telas – elas englobam a velocidade, ritmo, dados, conectividade, palavras, sons emitidos, permissões, e especialmente como um produto é reproduzido para o usuário final.

Eu sei que Designers se acham às vezes, mas não existe designer-unicórnio-mágico que consiga dar conta dessa responsabilidade toda – precisamos que a equipe esteja jogando junto para fazer o gol na Experiência do Usuário.

Photo by rawpixel on Unsplash.

Quem faz “UX”?

Cada membro da equipe tem um papel a desempenhar, cada disciplina específica entende algo diferente sobre a maneira como um produto é construído, como ele funciona, o que uma empresa e seus usuários precisam e como os usuários estão envolvidos com ele.

Não deveria ser papel de apenas uma pessoa (ou um grupo de pessoas atuando na mesma disciplina) entender tudo isso. Um grupo inteiro consegue planejar a experiência do usuário de forma melhor, pois todo mundo visa alcançar algo grande: trazer valor para o cliente e seu usuário final.

Highlights dos Desenvolvedores atuando com User Experience

Entre Gerente de Projetos, Product Owners, Product Managers e o Comercial, ainda sinto mais carência na maior participação do Desenvolvedor com a prática de User Experience.

Quando compartilho conhecimento sobre os desafios dos usuários com os desenvolvedores desde o início de um processo de descoberta de produto, gosto quando eles chegam perto e desenham comigo no quadro branco (ou parede) a conceituação no seu estado primário. Isso nos permite discutir, debater, repetir, testar e desafiar as hipóteses desde o início.

Entregamos a voz para aqueles que nunca tinham antes possibilidade de dar suas verdadeiras opiniões –  os que realizam as nossas ideias e estratégias.

New York Skyline 1930 — Charles Ebbets

Por muitos anos, vi desenvolvedores apenas executarem telas, muitas vezes silenciosamente discordando das soluções entregues, especialmente sabendo como trabalhar o código de forma que entregaria resultados muito melhores. Usando frameworks e sistemas de sua especialidade, são eles que conseguem enxergar desde o início barreiras e problemas que possam aparecer.

Por que não envolvê-los em todo momento, especialmente no início? Hoje em dia, não é o esperado que o Designer tenha noções básicas de desenvolvimento?

 

Photo by Kevin Gent on Unsplash

Com o Desenvolvedor comprometido a buscar a melhor experiência junto ao Designer, a velocidade é otimizada, decisões são tomadas com mais convicção e dados, e a qualidade ganha cada vez mais advogados.

UX como Esporte futebol

Igual ao futebol, o ato de planejar User Experience é um esporte de equipe. Um time de futebol é formado por um grupo de jogadores com posições específicas. Existe um goleiro, focado em impedir que a oposição marque gols. Existem os atacantes, que visam marcar e criar estratégias para golear. Cada jogador tem um papel específico a desempenhar e, quanto mais unidos, a equipe tende a marcar mais gols do que o adversário.

Aquele time. Brasil 2002. Será que esse ano vai? Bom, vamos pelo menos tentar vitória nos nossos times.

É legal lembrar que embora cada jogador num time de futebol tenha sua função específica, ele não está restrito a esse papel. Cada jogador pode e definitivamente deve contribuir acima e além do seu papel para ajudar a equipe. Os zagueiros não devem apenas defender, mas também atacar e até marcar quando dada a chance. Até mesmo os goleiros têm oportunidade de marcar um gol de vez em quando (pesquise um pouco sobre o que o Rogério Ceni já fez).

Amo ver isso acontecer quando desenvolvedores questionam escolhas de design e ajudam a refiná-las para melhorar o resultado final – o que geralmente surpreende a todos os envolvidos.

A especialidade de User Experience deve ser liderada pelo Designer? Eu acredito que sim.

Somos nós quem estudamos para isso, somos nós que empenhamos o papel de desenhar a interface e interações que o usuário tomará. Somos nós quem devemos estabelecer as atividades, tarefas e ações para resultados do produto.
Mas temos que abrir a porta para todos entrarem, a bola tem que rolar para todos jogarem. Se um User Experience de sucesso vira propósito e meta da equipe toda, orientado pelo Designer, existem maiores chances de o time ser mais unido, alinhado e motivado para um excelente resultado.

Todos jogam, suam, choram, vibram, cometem faltas, movimentamos, mudamos as formações e, se tudo der certo, a gente até ganha o campeonato. Concorda, discorda ou tem algo a dizer? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!

No capítulo de Design da Concrete nossa vontade é fazer do mundo um lugar melhor. Para isso, concebemos as melhores interações e soluções visuais baseadas em estudos, análises, pesquisas e testes com protótipos. Como designers, fazemos parte de um time multidisciplinar e trabalhamos lado a lado com Product Owners e desenvolvedores em um contexto de desenvolvimento ágil, centrado no usuário. Se você acredita nesse modelo de trabalhar, pode vir! =) Acesse: concrete.com.br/vagas