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Por que é tão importante pensar em acessibilidade?

  • Blog
  • 18 de Março de 2019
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Acessibilidade é um assunto muito importante que até pouco tempo não era muito comentado, mas finalmente tem aos poucos ganhado espaço no meio dos profissionais de tecnologia, que estão se conscientizando e inserindo o tema em seus trabalhos no dia a dia. Muitas empresas em todo o mundo estão abrindo espaço para a neurodiversidade, e isso significa que estão se preocupando mais com habilidades e padrões cognitivos, desde TDAH até pessoas no espectro do autismo, bem como com um design inclusivo, termo adotado pelo LinkedIn como tendência para 2019.

De acordo com o último Censo realizado no Brasil em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) existem cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no país, ou seja, 23,9% da população. Com base nesses dados, minha intenção é começar a escrever sobre o assunto do ponto de vista de um profissional da área de qualidade de software, o QA. A ideia é como podemos acrescentar o assunto no nosso dia a dia.

Já trabalhei em projetos em que foi necessário implementar, e consequentemente testar, as funções de acessibilidade de um aplicativo. Eu achava que realizava esses testes de forma correta até o dia em que realmente eu observei um PCD (pessoa com deficiência) utilizando um dispositivo na rua. Desde então, tudo o que eu achava que tinha feito até então caiu por terra. Sempre achei ruim ouvir as pessoas dizerem que “teste de software qualquer um faz, é só pegar o celular ou computador e sair fazendo”, mas quem trabalha com isso sabe que não é bem assim. Pois bem, provei do meu próprio veneno ao achar que testes de acessibilidade eram simples, que era só ligar o Talkback ou o voiceOver do dispositivo e sair testando…

Para garantir a acessibilidade em nossos produtos é preciso começar com um pouco de conceito, pesquisa e estudos, saber padrões já existentes no mercado, buscar vivência de profissionais que atuam no dia a dia com o tema e que têm alguma bagagem, etc. Porém, a parte mais importante disso tudo é conseguir ter contato com PCDs para entender como é o dia a dia e como elas usam efetivamente as ferramentas disponíveis.

Neste post, vou focar no universo PCD/mobile.

A pessoa com deficiência (PCD) pode se encaixar em várias situações. Pode ser um deficiente visual, que pode ter total ou parcial falta de visão ou ser uma pessoa daltônica; pode ter deficiência motora, alguém com dificuldade para utilizar o celular com as mãos, não tendo um ou mais dedos ou as mãos trêmulas, por exemplo; pode ser um idoso; pode ser uma pessoa com algum tipo de deficiência mental… Enfim, o que eu quero dizer é que, se você realiza testes de acessibilidade e quer provar que um app é apto para um tipo de PCD (pessoa com deficiência), você deve ter bem mais cuidado do que só verificar se o leitor de tela está funcionando bem.

Precisamos pensar em pontos como:
– Cores para contraste;
– Zoom na tela sem quebrar layout;
– Se for utilizar ícones, pensar no texto que o leitor de tela vai ler para que seja compreensível;
– Tamanhos de botões;
– Sequência lógica da disposição das informações na tela;
– Textos claros e com contexto;
– Navegação padrão de cima para baixo e de esquerda para direita;

Enfim… Temos uma série de regrinhas e boas práticas que podem ser implementadas e verificadas. Uma coisa que posso tirar de aprendizado nesse meu início de aprofundamento neste assunto é:

– Se atentar e cuidar das questões referentes à acessibilidade não é nenhum favor que fazemos. É um direito de acesso e inclusão para PcDs como consumidores;
– Uma tarefa para nós, como bons profissionais, é manter no radar atividades obrigatórias para garantir o mínimo de acessibilidade, para que possamos ir progredindo depois. É importante dizer que acessibilidade tem critérios não funcionais que podem entrar em todas as demandas de desenvolvimento;
– É obrigação e uma questão de respeito por parte das empresas prover a acessibilidade aos clientes;
– É também um dever do governo fiscalizar e garantir que leis referentes a este assunto sejam cumpridas;

Parece utópico e impossível, mas se plantarmos a sementinha e, de forma iterativa e incremental, aplicarmos acessibilidade nos projetos e produtos, aos poucos nós conseguimos mudar a nossa cultura geral e esse item tão importante, que atinge uma boa parcela da população mundial (segundo a OMS, com dados de 2011, 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência), passará a ser algo mínimo necessário e não apenas um “plus” ou uma atividade exercida apenas pela exigência de leis.

Com um compilado disso tudo e um pouco de dedicação dá para chegar em um equilíbrio sobre o que é bom para acessibilidade, como começar a garantir o mínimo nos projetos e produtos.

E você, o que acha? Tem algum case para compartilhar com a gente ou comentários sobre o assunto? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!