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Por que Scrum?

  • Blog
  • 3 de Julho de 2019
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De uns anos pra cá, com o hype das Metodologias Ágeis, estamos ouvindo cada vez mais pessoas falando sobre “Agile”, “Scrum”, ou qualquer outro termo que esteja embaixo do guarda-chuva de termos “ágeis”.

Essa popularização não é à toa. Diferente das burocracias das abordagens tradicionais, as abordagens ágeis vieram para lidar com a complexidade e o dinamismo de forma leve, focando em pessoas ao invés de processos, em aceitar as mudanças ao invés de prescrever um planejamento minucioso, etc.

Porém, com a popularização e o crescimento também vêm alguns mal-entendidos sobre a aplicação do Scrum e suas reais vantagens. Será que realmente sabemos quais são as vantagens e valores por trás da aplicação do Scrum ou só estamos seguindo a onda do mercado de ser ágil?

Neste post, vamos tentar ancorar algumas vantagens que podem ser adquiridas com a aplicação do Framework Scrum. Antes de listarmos esses pontos positivos, porém, precisamos entender um pouco o que é o Scrum. Não vou me aprofundar na história, valores ou regras (até porque tem vários posts aqui no Blog que podem te ajudar com isso), mas vou tentar explicar de forma objetiva o propósito do framework. Bora lá?

O Scrum

O Scrum é um framework para sustentação e desenvolvimento de produtos complexos e adaptativos focado em entregas de valor que usa uma abordagem empírica, iterativa e incremental. Nele, são definidos pequenos ciclos de um mês (ou menos) que chamamos de Sprint, durante os quais um incremento funcional do produto é desenvolvido e pode ser disponibilizado ao cliente final.

Sua estrutura funcional é formada por cinco eventos, três papéis e três artefatos (5-3-3). São eles:

Eventos: Planning, Daily, Review, Retrospective e Sprint (evento que agrega os quatro eventos anteriores).

Papéis: Time de Desenvolvimento, Product Owner e Scrum Master.

Artefatos: Product Backlog, Sprint Backlog, Increment

O Scrum também é sustentado por três pilares e cinco valores:

Pilares: Transparência, Inspeção e Adaptação

Valores: Abertura, Coragem, Comprometimento, Foco e Respeito

Um contexto complexo

Quando falamos de “produtos complexos” ou “cenários complexos”, queremos falar sobre um contexto no qual a relação causa e efeito só é percebida em retrospecto, e não antes. Nesse contexto, segundo o Framework Cynefin, a abordagem a ser adotada deve ser: Sondar (probe), Sentir (sense) e Responder (respond). 

As vantagens de usar Scrum

Dentre todas as vantagens que podemos citar, neste post vou destacar algumas que, na minha visão, são as mais importantes em um cenário complexo e adaptativo.

Time to market

No mundo dos negócios, ser o primeiro a lançar um produto ou funcionalidade significa ter vantagens competitivas sobre o concorrente.

Em abordagens tradicionais, geralmente um planejamento detalhado é elaborado, com todas as fases do projeto, ou seja, desde a fase de requisitos, passando por design, desenvolvimento e teste até a sua entrega. Nesta abordagem, geralmente o produto final só chega na mão do cliente depois de passar por todas essas fases e, na maioria das vezes, isso pode levar meses ou até anos.

Em um contexto competitivo no qual quem sai na frente leva vantagem, essa abordagem pode acabar comprometendo algumas estratégias, principalmente a de estar disponível no mercado no momento certo.

Diferente de abordagens tradicionais, com o Scrum é possível reduzir o Time to Market com pequenos ciclos, nos quais ao final de cada um (ou de cada Sprint, como chamamos esses ciclos) um pedaço do produto já é construído e pode ou não ser disponibilizado para o cliente final, dependendo da estratégia e decisão do Product Owner.

Isso não significa que abordagens tradicionais sejam ruins. Isso significa que, para contextos complexos e adaptativos essa abordagem pode não ser a melhor opção. 

Entregas contínuas focadas em valor

Na minha visão, essa vantagem, sem dúvida, é a que mais se destaca. Como falamos, o Scrum é fundamentado em um controle de processos empíricos e seus seguidores acreditam que decisões corretas são tomadas a partir de conhecimento. E conhecimento só é adquirido com experiência.

Em um cenário de desenvolvimento de um produto, experiência significa “produto na mão do usuário final”. Somente com o usuário final é possível coletar e analisar os feedbacks e redirecionar a estratégia do seu produto para focar no que, de fato, agrega valor.

Para embasar essa teoria, o The Standish Group apresentou, em 2002, uma pesquisa que apontava alguns resultados interessantes sobre valores. Em um deles, a pesquisa mostra que mesmo que os projetos cumpram o custo, escopo e tempo, somente 40% do total teve um retorno de valor alto ou muito alto, como mostra a imagem abaixo:

Em outro resultado, a pesquisa mostra que somente 20% das features desenvolvidas em um projeto são usadas com frequência.

Seguindo essa linha, como será que o Scrum pode nos ajudar a focar no que de fato entrega valor para o usuário final?

Como mencionamos, o Scrum é embasado no empirismo, ou seja, toda decisão é baseada em conhecimento. Esses conhecimentos são adquiridos graças aos curtos ciclos iterativos e incrementais. No início de cada iteração fazemos um planejamento para definir o objetivo da iteração e como atingi-lo. No final, o incremento desenvolvido é inspecionado pelas partes interessadas no produto e a estratégia é adaptada e realinhada.

Essa estratégia de curtos ciclos de inspeção e adaptação garantem que o produto esteja sempre alinhado, de forma empírica, com as necessidades do cliente. Esse processo funciona como pequenos ciclos PDCA’s:

Isso nos garante focar sempre naqueles 20% de features que são de fato importantes e que geram valor para o nosso usuário final. Dessa maneira, evitamos qualquer tipo de desperdício trabalhando em coisas que não entregarão valor.

Foco em pessoas, não em processos

“Construir projetos ao redor de indivíduos motivados, dando a eles o ambiente e suporte necessário, e confiar que farão seu trabalho.” (Agile Manifesto)

Já é passado o tempo em que pessoas eram vistas como máquinas e chamadas de recursos. Hoje em dia, as informações estão cada vez mais acessíveis graças à tecnologia. Não precisamos nem sair de casa para obter um diploma de graduação.

Segundo Daniel Pink, a maioria das pessoas são movidas por motivações intrínsecas ao invés de extrínsecas, ou seja, elas preferem obter satisfação por fazer um trabalho do que obter recompensas por ele, como dinheiro, por exemplo.

Essa motivação intrínseca é composta por três pilares: autonomia (liberdade para escolher), maestria (melhorar e aprender constantemente) e propósito (ver sentido no valor do seu trabalho).

Dito isso, no Scrum os times são auto-organizáveis e multifuncionais, o que representa muito a autonomia. A arquitetura do time segue um modelo horizontal no qual não existem hierarquias. Os times Scrum são incentivados a decidir de forma criativa e auto-organizada o melhor caminho para completar o seu trabalho, em vez de serem orientados de forma hierárquica.

Os times Scrum também seguem um processo chamado melhoria contínua, ou seja, no fim de cada sprint o time se reúne para discutir pontos positivos e negativos ocorridos durante a Sprint. É a pura maestria. Esse evento é chamado de Sprint Retrospective e tem como objetivo definir pontos de melhoria que serão aplicados na próxima Sprint.

Por fim, no início de toda Sprint ocorre um evento chamado Planning, no qual o Product Owner e o Time de Desenvolvimento planejam o trabalho que será feito naquela sprint, o que dá propósito ao time. O resultado da Planning é a definição de um objetivo acordado entre o time Scrum e uma lista de tarefas pertinentes ao objetivo. Com isso definido, o time tem uma visão clara do propósito daquela sprint e o que eles devem perseguir durante aquele período.

“Quando os valores de comprometimento, coragem, foco, transparência e respeito são incorporados e vividos pelo Time Scrum, os pilares do Scrum de transparência, inspeção e adaptação tornam-se vivos e constroem a confiança para todos.” (Scrum Guide, 2017, p.5)

Conclusão

O Scrum não é bala de prata, assim como não existe nenhuma metodologia ou framework que seja. O sucesso ou não da aplicação de uma metodologia está muito ligado ao contexto do seu produto.

Conforme o tempo passa e a tecnologia evolui, nossa percepção do que precisamos também muda. Isso significa que amanhã precisaremos de algo que não existe hoje, assim como deixaremos de precisar de algo que hoje não conseguimos viver sem. Esse processo funciona igual a juros compostos, quanto mais a tecnologia avança, mais rápido essas mudanças de percepção de necessidades ocorrem.

Diferente dos métodos tradicionais, o Scrum foi desenvolvido para apoiar essas mudanças constantes, dando-nos a possibilidade de frequentemente inspecionar a real necessidade de nossos clientes e readaptar nossos planos e objetivos, focando sempre em entregar o máximo de valor possível com um time motivado e criativo.

Concorda, discorda ou tem algo a dizer? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!